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Lula chama acusações contra Lulinha de “ilações” inocência

O presidente Lula (PT) tentou minimizar, nesta quinta-feira (27), os elementos reunidos pela Polícia Federal (PF) na investigação que envolve seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Questionado sobre mensagens apreendidas no celular da lobista Roberta Luchsinger, Lula classificou o conteúdo como “ilações”, afirmou ter certeza de que ele “será seu filho” e que não haverá interferência do governo para protegê-lo. As declarações foram dadas durante entrevista ao Jornal Nacional.

“Seu Fábio, se cometeu qualquer ilícito, qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, afirmou. Lula acrescentou: “Não haverá, da parte da Presidência da República, um milímetro de movimento para proteger meu filho”.

Apesar da declaração, o presidente colocou em dúvida os elementos que estão sendo analisados pelos investigadores. “Até agora não existe uma prova de um centavo público. Até agora não existe uma prova de uma conversa do meu filho com qualquer ministro”, disse.

Lula também afirmou que não considera suficiente a existência das mensagens para comprovar a prática de crime. “O fato de ter pegado conversa no telefone não justifica absolutamente nada”, declarou.

Na entrevista, o presidente comparou a investigação envolvendo Lulinha ao período em que foi alvo da Operação Lava Jato. Segundo Lula, assim como ocorreu com ele, somente o próprio investigado teria condições de esclarecer o conteúdo das conversas. “Só ele sabe a verdade. Se ele fez erro, pagará. Ele não será protegido por ser meu filho, por ser meu irmão, nada”, afirmou.

Mensagens

A fala ocorre enquanto a PF analisa o conteúdo extraído do celular de Roberta Luchsinger, empresária e lobista sócia de Lulinha. As mensagens integram investigações conduzidas no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a atuação do empresário em negócios privados relacionados a órgãos do governo federal.

Os diálogos mostram Roberta tratando com Lulinha sobre negócios e articulações políticas. Em uma conversa de março de 2024, ela afirma que os dois trabalham em “outro nível” e que o futuro seria a “Suíça”.

Lulinha, por sua vez, menciona reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e com Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.

Outro conjunto de mensagens analisado pela PF envolve a tentativa de viabilizar negócios na área de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. Roberta chegou a encaminhar a Marcola uma minuta de contrato para fornecimento de produtos à base de canabidiol à pasta.

A investigação também identificou pagamentos feitos por Roberta a Marcola, incluindo despesas pessoais. Segundo o ex-chefe de gabinete, os valores chegaram a R$ 249 mil e corresponderiam a um empréstimo que posteriormente foi quitado.

Roberta, por sua vez, recebeu R$ 1,5 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, segundo os investigadores.

A PF também apura a relação de Lulinha com Roberta e a participação dele nas articulações envolvendo interesses privados e integrantes do governo. Em outro diálogo, a lobista afirma que Lulinha “entra em campo” quando necessário. Em uma conversa sobre negócios na Telebras, ela relata ainda que uma pessoa estaria utilizando o nome do filho do presidente para tentar fechar uma operação.

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