O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a fazer um paralelo entre a Operação Lava Jato e as investigações do Banco Master nesta segunda-feira (22). Ele disse ter feito advertências sobre a Lava Jato antes da Corte declarar a nulidade dos atos da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Segundo ele, a Operação Spoofing, que revelou troca de mensagens entre procuradores da força-tarefa e o então juiz Sergio Moro, mostrou que a “maior operação de combate à corrupção do mundo, se transformou no maior escândalo judicial do mundo”.
Na semana passada, a Segunda Turma do STF manteve as prisões do pai e do primo de Daniel do Vorcaro, dono do Banco Master, por 4 votos a 1. Gilmar foi o único a votar para que Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, fosse para a prisão domiciliar.
Na ocasião, o decano comparou os métodos do caso Master, relatado por André Mendonça, às práticas da Lava Jato, as quais classificou como “autoritárias” e “espetaculosas”. Gilmar criticou o que chamou de “punitivismo inebriado” e a utilização de prisões para induzir delações premiadas.
“Juiz algum pode comportar-se como delegado de polícia. Nós sabemos muito bem onde esse caminho termina”, alfinetou. O ministro afirmou que o voto vencido também serve como um “alerta” para o futuro.
“Um voto vencido muitas vezes contém advertências que evitem algum tipo de sonho ou de aventura”, disse o ministro ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
“A Lava Jato é uma boa referência. Ali a gente começou como voto vencido e depois acabou como voto vencedor. Inicialmente, eram advertências que se faziam na linha de ‘não vamos por aí’. Me lembro de dizer: ‘Nós temos um encontro marcado com as prisões alongadas de Curitiba'”, acrescentou.