Arthur Lira (PP) e JHC (PSDB), candidatos ao Senado e ao governo de Alagoas, pediram nesta terça-feira, 22, ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) o envio de tropas federais para os 102 municípios do Estado durante as eleições de 2026.
Em reunião com o presidente da Corte, desembargador Alcides Gusmão, os dois entregaram um requerimento no qual apontam supostas interferências políticas na segurança pública e afirmam que problemas identificados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022 não foram resolvidos.
A petição sustenta que o “quadro de fragilidade institucional reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no pleito de 2022 não foi corrigido” e teria se agravado desde então. Naquele ano, o TSE autorizou a presença de tropas federais em 27 municípios alagoanos, em razão de apontamentos relacionados à atuação das forças de segurança.

O documento apresentado ao TRE-AL cita episódios que, segundo os candidatos, indicariam interferência política no aparato de segurança.
Entre eles estão supostas mudanças direcionadas no policiamento de municípios administrados pela oposição, o emprego de agentes em atividades distintas de suas funções e a indicação de um oficial investigado pela Polícia Federal (PF) para comandar a tropa em Mata Grande durante o segundo turno de 2022.
Eleição em Alagoas envolve disputa entre grupos políticos
JHC e Lira afirmam que os episódios precisam ser investigados pela Justiça Eleitoral e defendem a presença de forças federais em todo o Estado durante o pleito. “O requerimento apresenta fatos graves relacionados a promoções, viaturas, servidores e estruturas públicas que teriam sido direcionados para beneficiar a candidatura governista”, disse JHC.
“Queremos que tudo seja investigado pela Justiça Eleitoral e, enquanto persistirem essas dúvidas, defendemos forças federais nos 102 municípios de Alagoas”, acrescentou o candidato ao governo.

Lira afirmou que o pedido tem como objetivo, segundo ele, preservar a lisura da eleição diante de supostos abusos de poder político e econômico. “O que estamos levando ao TRE são fortes indícios de que o governo do Estado vem utilizando promoções e o aparato da segurança pública de maneira abusiva para favorecer a candidatura de seu grupo político”, declarou.
A eleição alagoana envolve uma disputa entre grupos políticos adversários. O governador Paulo Dantas (MDB) apoia o ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) para sua sucessão. No Senado, Renan Calheiros (MDB), pai de Renan Filho, busca a reeleição e enfrenta Arthur Lira, seu adversário político.
Lira também afirmou que a presença das tropas federais seria necessária para assegurar a realização do pleito sem interferências. “As tropas federais em todo o Estado são necessárias para garantir uma eleição livre, segura e sem interferência política”, disse.