O governo do Irã afirmou neste domingo (2) que as negociações com Omã sobre a futura gestão do Estreito de Ormuz estão na fase final, com o objetivo de estabelecer uma nova rota de navegação na passagem estratégica. As informações são da agência EFE.
De acordo com Teerã, o entendimento em curso não está relacionado nem à reabertura nem ao fechamento do canal, e também não tem qualquer ligação com o anúncio feito neste sábado (1º) pelo presidente americano, Donald Trump, sobre o cancelamento de ataques ao país.
O entendimento com Omã, de acordo com o governo iraniano, trata exclusivamente da criação de uma nova rota de navegação no Estreito de Ormuz, distinta das duas alternativas discutidas até agora — a rota norte, defendida pelo Irã, e a rota sul, proposta por Omã no início de julho.
Irã descarta ligação com anúncio de Trump
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse à televisão estatal iraniana que o país negocia apenas com Omã, sem qualquer canal aberto com os Estados Unidos sobre a suspensão de ataques.
A declaração contraria diretamente a versão dada por Trump na noite de sábado (1º), quando o presidente americano afirmou na rede social Truth Social que “o Irã e outros países do Oriente Médio” pediram o adiamento de qualquer ofensiva depois de acordadas as bases de um entendimento mais amplo, que incluiria a reabertura total do canal e o fim da ameaça nuclear iraniana.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em relatório apresentado ao gabinete iraniano e divulgado pela agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do país, que as negociações com Omã estão na fase final.
O porta-voz iraniano também justificou a resistência do país à rota sul, hoje em vigor, associando-a a riscos à segurança da região e a prejuízos aos interesses nacionais do Irã. Ele afirmou que Teerã manterá suas posições independentemente de pressões externas.
O Estreito de Ormuz é uma das principais vias de escoamento de petróleo do mundo, respondendo por cerca de um quinto do volume transportado por mar antes do início da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.
O Irã havia decretado o fechamento da rota em 12 de julho, em resposta a bombardeios americanos motivados por ataques iranianos contra navios comerciais, e os Estados Unidos, por sua vez, mantêm bloqueio naval sobre portos e embarcações iranianas na região.
De acordo com comunicado da agência saudita SPA deste domingo (2), o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, pediu por telefone a Trump que priorizasse o diálogo para evitar um “conflito mais amplo” na região.
O contato ocorreu depois de o Irã ameaçar, na sexta-feira (31), fazer os vizinhos árabes “arderem no fogo da guerra” em caso de ataque americano em grande escala.
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