O número de mortos no incêndio em torres residenciais no distrito de Tai Po, em Hong Kong, subiu para 83, segundo o Corpo de Bombeiros. Além disso, as equipes ainda procuram 50 pessoas que pediram ajuda por telefone. O fogo atingiu as torres do complexo residencial público Wang Fuk Court nesta quinta-feira, 26.
O incêndio se espalhou rapidamente pelos prédios, que estavam em renovação e cercados por andaimes de bambu. A fumaça ficou densa. O fogo já foi controlado pelas equipes. As autoridades registraram 76 feridos, entre eles 11 bombeiros.
Este é o incêndio mais mortal da cidade desde novembro de 1996, quando chamas causadas por soldagem em obras internas mataram 41 pessoas em um prédio comercial de Kowloon.
O governo local criou um fundo de apoio às vítimas e já recebeu US$ 38 milhões em doações de entidades e empresas. Além disso, voluntários já começaram a recusar roupas e mantimentos, pelo excesso de itens em um abrigo improvisado em uma escola próxima do local.
Polícia investiga causas do incêndio em Hong Kong
Nesta quinta-feira, os bombeiros informaram que o incêndio começou no Wang Fuk Court, complexo de oito blocos e quase 2 mil unidades. O local fica próximo à divisa com a China continental. Este conjunto faz parte de um programa de subsídios à moradia e foi inaugurado em 1983.
Uma força-tarefa ainda investiga as causas do incêndio. A polícia já antecipou, porém, que os prédios estavam cobertos com telas e plásticos fora dos padrões de segurança contra incêndio. Também informou que as janelas de uma das construções tinham espuma instalada por uma construtora que fazia manutenção.
“Temos motivos para acreditar que os responsáveis da empresa foram extremamente negligentes, o que levou a este acidente e fez com que o fogo se alastrasse descontroladamente, resultando em um grande número de vítimas”, disse Eileen Chung, superintendente da polícia de Hong Kong. A polícia deteve três funcionários da construtora por suspeita de homicídio culposo.
Hong Kong ainda utiliza bambu em estruturas de obra. Em março, o governo anunciou sua eliminação gradual. Segundo a Associação para os Direitos das Vítimas de Acidentes de Trabalho, ao menos três incêndios com andaimes de bambu ocorreram este ano.