Ghazi Hamad, integrante do escritório político do Hamas, confirmou nesta sexta-feira (31) que o grupo terrorista chegou a um acordo com o Conselho da Paz liderado pelo presidente americano, Donald Trump, para entregar suas armas, mas disse que Israel terá que cumprir uma série de condições para que isso aconteça.
“O acordo é um pacote”, disse Hamad em entrevista à emissora americana CNN. “Não iniciaremos nenhuma medida relacionada às armas até que Israel implemente esses compromissos. Francamente, se Israel não os implementar, não prosseguiremos.”
Trump anunciou o acordo em um post na rede Truth Social na quinta-feira (30), no qual afirmou que “à medida que o desarmamento for concluído, as forças israelenses se retirarão, e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade de garantir a segurança [da Faixa] de Gaza para seus moradores e vizinhos”.
Porém, Hamad afirmou que antes do Hamas entregar suas armas, Israel deve cessar fogo, interromper todas as operações de “eliminação” seletiva em Gaza, retirar suas tropas para além da chamada Linha Amarela (que demarca cerca de 50% do território do enclave) e permitir um fluxo intensificado de ajuda humanitária.
O alto funcionário do grupo terrorista disse que tais compromissos estão em conformidade com o acordo de cessar-fogo de outubro do ano passado.
Hamad também disse que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), um grupo de tecnocratas palestinos nomeados pelo Conselho da Paz, também deverá entrar em Gaza e assumir a governança do enclave para receber o controle das armas da força policial do Hamas.
O funcionário disse que o armamento pesado do Hamas não será desativado nem destruído, mas sim “armazenado sob a supervisão do NCAG”.
Na entrevista à CNN, Hamad manifestou ceticismo sobre a possibilidade de Israel cumprir essas obrigações.
“Nossa experiência com a primeira fase foi muito ruim. Israel não respeitou o acordo, e houve centenas ou milhares de violações. Agora, cabe aos fiadores — Estados Unidos, Catar, Turquia e Egito — garantir, em 100%, que Israel honrará e implementará plenamente todos os pontos do acordo”, disse Hamad.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas um funcionário do seu governo disse à CNN que as tropas israelenses não se retirarão além da Linha Amarela antes do desarmamento do Hamas.
Já o ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben Gvir, da ala mais à direita da gestão Netanyahu, rejeitou o acordo.
Segundo informações da imprensa israelense, ele declarou que “a minuta do acordo publicada pelo Conselho da Paz não é aceitável para Israel” e que “após o massacre de 7 de outubro [de 2023], o sangue de cada membro do Hamas recai sobre a sua própria cabeça — e, portanto, comprometer-se a interromper a eliminação dos assassinos da organização terrorista equivale a permitir que o Hamas se reorganize para o próximo massacre”.