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Haiti: adversário do Brasil na Copa enfrenta o caos no país

Haiti: adversário do Brasil na Copa enfrenta o caos no país

Após estrear na Copa do Mundo de 2026 com uma derrota por 1 a 0 para a Escócia, o Haiti enfrenta na Filadélfia nesta sexta-feira (19) a partir das 21h30 (horário de Brasília) a camisa mais pesada do futebol mundial: o Brasil.

Independentemente do resultado, a participação haitiana no Mundial, a primeira do país desde 1974, já pode ser considerada uma vitória, já que a nação caribenha enfrenta uma das maiores crises humanitárias do mundo.

Desde o assassinato do então presidente Jovenel Moïse em 2021, o Haiti vive uma onda de vácuo de poder e violência desenfreada, com gangues dominando grande parte do país.

Um relatório de março do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos apontou que pelo menos 5.519 pessoas foram assassinadas no Haiti e outras 2.608 ficaram feridas entre 1º de março de 2025 e 15 de janeiro de 2026, índices altíssimos para uma nação de apenas 12 milhões de habitantes.

O documento informou que, de acordo com a avaliação de deslocamento realizada pela Organização Internacional para as Migrações, em setembro de 2025 o Haiti tinha mais de 1,4 milhão de deslocados internos, um aumento de 36% desde novembro de 2024.

Recentemente, o Chade iniciou uma ação de combate às gangues no Haiti, depois que uma missão de segurança liderada pelo Quênia que atuou no país caribenho a partir de junho de 2024 não conseguiu grandes resultados.

Essa instabilidade se reflete no futebol. Segundo artigo recente do site The Conversation, a maioria dos atletas que representam o país caribenho na Copa vem da diáspora haitiana: dos 26 jogadores convocados, apenas dez nasceram no Haiti e somente um, Woodensky Pierre, joga em um clube haitiano.

Doze convocados nasceram na França, filhos de pais haitianos, um no Canadá, um na Suíça e dois nos Estados Unidos.

Devido à violência, o Haiti foi obrigado a disputar suas partidas como mandante nas Eliminatórias fora do país, em Aruba, Barbados e Curaçao.

Em março de 2024, o principal estádio do país, o Stade Sylvio Cator, em Porto Príncipe, foi tomado por gangues.

Antes disso, em 2021, o centro de treinamentos da seleção, o Rancho Croix-des-Bouquets, havia sido abandonado após ter sido tomado por integrantes da gangue 400 Mawozo, a maior do país.

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