O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu na quinta-feira 20 uma integração mais profunda da cadeia mineral brasileira com a americana. A fala, feita em vídeo ao lado dp presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorreu horas depois de o presidente Donald Trump anunciar o fim da sobretaxa de 40% sobre produtos do agronegócio brasileiro.
Segundo Haddad, o foco deve ser “adensar cadeias produtivas” e usar minerais nacionais para produzir baterias, carros elétricos e energia limpa no Brasil. A discussão ocorre em meio às negociações de um acordo para fornecimento seguro de terras raras aos EUA, tema central do “tarifaço” imposto por Washington.
Os EUA buscam alternativas depois de a China restringir exportações e reforçar seu domínio: 60% da mineração global, 91% do refino e 94% da produção de ímãs permanentes — insumos estratégicos para turbinas, motores, semicondutores e sistemas militares.
A IEA classifica a concentração chinesa como risco geopolítico severo. Para Washington, ampliar o acesso a minerais críticos é visto como essencial para manter a supremacia tecnológica e militar.
O que seria o “adensamento de cadeias produtivas” citado por Haddad
O Brasil, que possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, ainda explora e refina muito pouco. A ausência de marco regulatório limita o avanço da cadeia, mas empresas ocidentais já começaram a investir.
A australiana Viridis Mining & Minerals, por exemplo, anunciou um centro de pesquisa e processamento em Poços de Caldas (MG), livre de tecnologia chinesa.
A estratégia do governo é evitar que o país vire mero exportador de matéria-prima e atrair transferência tecnológica para estimular produção e industrialização local dentro da economia verde.
A ordem executiva de Trump

A ordem executiva assinada por Trump na noite da quinta-feira 20 determina o fim da tarifa de 40% sobre a importação de determinados produtos agrícolas brasileiros, com aplicação retroativa a 13 de novembro. Café, carne bovina, petróleo, frutas e peças de aeronaves estão entre os itens beneficiados, integrando a lista dos principais produtos exportados do Brasil para os EUA que agora deixam de sofrer as sobretaxas estabelecidas desde o início do tarifaço.
Segundo informações da Casa Branca, a medida prevê o reembolso dos impostos pagos sobre importações brasileiras a partir da última quinta-feira, 13, alinhando a decisão à medida tomada na sexta-feira 14, que reduziu tarifas “recíprocas” sobre produtos agrícolas importados de todos os parceiros comerciais. Até então, os produtos brasileiros enfrentavam uma taxa de 10%.
Com a nova ordem, é revertido o decreto de 30 de julho, que justificava as sobretaxas com base em uma “emergência nacional” gerada, segundo Trump, por políticas e condutas do governo brasileiro consideradas “incomuns” e “extraordinárias”, vistas como prejudiciais a empresas norte-americanas, à liberdade de expressão nos EUA, à diplomacia e à economia do país.