A guerra no Irã entrou no discurso de Lula em meio à pressão sobre os preços do petróleo e ao temor de novos reajustes no Brasil. Nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, o presidente afirmou que o conflito não pode ser usado como desculpa para repasses generalizados ao consumidor e reclamou de aumentos que, na visão dele, não se sustentam pela crise externa.
Ao comentar o tema, Lula disse que a distância entre o Brasil e o cenário do conflito torna injustificável a tentativa de vincular automaticamente a guerra à alta de produtos no mercado interno. Na fala, ele citou combustíveis e até itens do dia a dia para argumentar que o impacto externo não pode virar justificativa ampla para encarecer a vida do brasileiro.
Como Lula reagiu à guerra no Irã
Durante visita à fábrica da Caoa, em Anápolis, o presidente classificou como “irresponsabilidade” a ideia de deixar a guerra no Irã contaminar preços como os de alface, cebola e feijão. No mesmo discurso, afirmou que há casos em que até o etanol estaria sendo reajustado sem relação direta com o conflito, além de mencionar o diesel mesmo com subvenção do governo.
A fala reforça uma linha política já adotada pelo Planalto em momentos de pressão inflacionária: separar o efeito real do cenário internacional de movimentos internos considerados oportunistas. O alvo do presidente foi justamente o uso da crise externa como argumento automático para aumentos em cadeia.
Guerra no Irã e a pressão sobre os preços
A reportagem lembra que a escalada começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã depois do agravamento das tensões em torno do programa nuclear iraniano. Depois disso, o regime iraniano passou a retaliar países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No mesmo contexto, a matéria cita que a mídia iraniana noticiou em 29 de fevereiro a morte do líder supremo Ali Khamenei em ataques atribuídos a EUA e Israel. Também registra declaração do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que chamou a ofensiva de a mais pesada da história e tratou a reação do país como um direito legítimo, além de mencionar a ameaça de resposta militar feita por Donald Trump.
Fiscalização contra reajustes e abusos
No plano interno, Lula disse ter orientado a Polícia Federal e os Procons estaduais a fiscalizar e reportar agentes econômicos que, segundo ele, estejam tirando proveito da situação para prejudicar a população. A declaração busca sinalizar reação do governo diante da possibilidade de aumentos considerados abusivos.
Com isso, a guerra no Irã deixa de ser apenas um tema de política externa e passa a ocupar espaço central no debate doméstico sobre inflação, combustíveis e custo de vida. O recado do presidente foi direto: o conflito internacional não pode virar salvo-conduto para novos reajustes no Brasil.