O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria recebido com preocupação o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o acordo de paz firmado com o Irã. Segundo revelou uma alta autoridade israelense à emissora Channel 13, o acordo entre Washington e Teerã foi considerado “terrível” para Israel.
De acordo com a informação, integrantes do governo em Jerusalém foram surpreendidos pelo anúncio do acordo de paz realizado por Trump neste domingo (14). A avaliação predominante entre as autoridades israelenses era de que as negociações entre Estados Unidos e Irã acabariam fracassando e não resultariam em um acordo formal.
Segundo o Channel 13, uma autoridade de alto escalão do governo israelense classificou o acordo como negativo para os interesses de Israel. A reportagem não detalhou quais pontos específicos do acordo provocaram a reação. De acordo com a imprensa internacional, o acordo entre EUA e Irã prevê negociação sobre o futuro do programa nuclear iraniano, o fim do bloqueio naval americano contra Teerã e a possível flexibilização de sanções contra Teerã.
A emissora informou que Netanyahu manteve recentemente uma conversa telefônica considerada tensa com o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance. Conforme a reportagem, Vance teria pedido que Israel reduzisse sua presença militar no sul do Líbano, onde tropas israelenses permanecem em posições ocupadas durante o conflito contra o Hezbollah, que lançou nesta segunda-feira (15) novos ataques contra Israel.
Segundo o Channel 13, Netanyahu rejeitou o pedido feito pelo vice americano. Uma fonte ouvida pela emissora afirmou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) não deixarão suas posições no território libanês.
“As FDI não vão se retirar, mas, a partir de agora, cada ação será analisada”, afirmou a fonte.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, Netanyahu rejeitou a interpretação de que Israel estaria subordinado às decisões de Washington. O premiê afirmou que mantém com Trump uma “relação de parceiros” e que os dois governos concordam em muitos temas, embora existam divergências em algumas questões.
“Nos Estados Unidos dizem que Trump faz tudo o que eu peço. Em Israel dizem o contrário, que eu faço tudo o que ele pede. Nenhuma das duas coisas é verdade”, declarou Netanyahu. Segundo ele, Israel considera as posições americanas em suas decisões estratégicas, mas preserva sua autonomia para agir de acordo com seus próprios interesses de segurança.
O acordo entre Estados Unidos e Irã prevê a assinatura formal de um tratado na próxima sexta-feira (19), na Suíça. Entre os pontos já anunciados estão a futura reabertura do Estreito de Ormuz, o encerramento do bloqueio naval americano aos portos iranianos e novas negociações sobre o programa nuclear do regime islâmico. O acordo também inclui discussões sobre eventual alívio de sanções econômicas impostas a Teerã, condicionadas ao cumprimento das exigências previstas no acordo.