A Fundação Municipal de Saúde (FMS), em parceria com o grupo MATIZES, promoveu na manhã de hoje (12) a palestra “Cuidado em saúde mental para a população LGBT” no auditório da instituição. O objetivo foi capacitar os profissionais da rede para o cuidado com essa população, que passa por questões específicas de preconceito que afetam diretamente a saúde mental.
A conversa faz parte da programação promovida pela FMS, por meio da Gerência de Saúde Mental (GSM) durante o setembro amarelo, mês de conscientização sobre a valorização da vida. Participaram os profissionais de saúde que atuam nos sete Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município, além de outros dispositivos da área de saúde mental da capital.
A gerente de Saúde Mental da FMS, Luana Bueno explicou sobre a importância e urgência de capacitar os profissionais da rede de saúde mental do município, para que eles estejam preparados para ofertar um atendimento em saúde mental de forma acessível e sem julgamentos. “Esse é um momento para alertar quanto ao cuidado empático e com dignidade a população LGBTQIAPN+, já que é uma comunidade que vem enfrentando um processo de adoecimento mental, muitas vezes em decorrência do preconceito, estigma e rejeição”, disse.
De acordo com o Relatório Tensões Culturais (Quiddity, 2023), 50% dos brasileiros LGBT+ sofrem de ansiedade, 24% sofrem de depressão e 15% enfrentam crise de pânico, em contraposição a 34%, 15% e 6%, respectivamente, entre heterossexuais.
“A saúde mental é uma questão que durante muito tempo foi negligenciada nos estudos e no cotidiano, mas que expõe pessoas a processos no campo das emoções, especificamente os LGBTs. Ela perpassa as questões de gênero e sexualidade, mas temos que entender que ser gay, lésbica, pessoa trans, bissexual, importa na forma como nós vamos construir a nossa identidade e a nossa relação com a própria saúde mental”, explica o sociólogo Weriquis Sales, colaborador do grupo MATIZES e um dos palestrantes.
Diante da relevância das questões de gênero e sexualidade na formação e adoecimento mental, o sociólogo entende que para que haja uma visão integral do paciente é importante trazer este debate ao Sistema Único de Saúde. “Assim, você pode olhar para esse sujeito de forma completa, como um ser humano com múltiplas dimensões e não a partir de locais que muitas vezes reproduzem o que gerou, inclusive, esse processo de adoecimento para ele e para ela”, conclui.

