O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou na noite de ontem (13) que o seu gabinete no Senado recebeu e-mails do Missão no início do mês, mas as mensagens foram tratadas como spam. “Chegou no meu gabinete alguns e-mails automáticos desse partido. Como ninguém conhece, acaba que a assessoria vê aquilo e acha que é spam”, afirmou.
“Me filiaram ilegalmente a um outro partido”, disse Flávio durante a sua live semanal. “Houve mais outra mentira dizendo que eu próprio teria tentado me filiar. Mentira, obviamente”.
O episódio veio a público nesta quinta, quando o sistema da Justiça Eleitoral passou a registrar Flávio como filiado ao Missão, enquanto o vínculo com o PL deixou de aparecer. A alteração impediu temporariamente o registro de sua candidatura à Presidência da República.
A filiação ocorreu após movimentações iniciadas em 2 de agosto, segundo o Missão, do líder do MBL Renan Santos, que afirmou ter enviado alertas ao gabinete do senador sobre uma tentativa de inclusão em seus quadros.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que não houve invasão hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. Segundo a Corte, a filiação foi registrada com credenciais vinculadas ao próprio Missão. O presidente do TSE, Nunes Marques, determinou o retorno de Flávio ao PL e a manutenção dos registros para apuração do caso.
Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, sustenta que a confirmação da filiação ocorreu após o acesso à conta de e-mail pessoal de Flávio. “Nós temos como COMPROVAR que alguém acessando o e-mail do Flávio apertou o botão de confirmação da filiação e ainda apertou o botão para acessar nosso app de militância”, disse em publicação no X.
Em vídeo enviado à imprensa, o dirigente do Missão afirmou que alguém se passou pelo senador para concluir o procedimento. “Alguém se passando pelo Flávio Bolsonaro foi lá, cadastrou ele no nosso sistema, tentou fazer a filiação. Isso foi remetido para o sistema do TSE. O sistema do TSE estava fora e a gente tem como comprovar que estava fora”, disse.
Renan também afirmou que o partido procurou o gabinete do senador após identificar a movimentação. “O gabinete de Flávio Bolsonaro abriu os e-mails, portanto, o gabinete dele tinha ciência de tudo isso e, mesmo assim, nada foi feito da parte deles para regularizar a situação”.