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Flávio pede sigilo aberto no caso Dark Horse

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta sexta-feira a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a abertura de uma investigação contra ele por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que Mendonça “está certo” ao permitir a apuração. O senador também pediu a retirada integral do sigilo e disse que a divulgação dos documentos poderá confirmar a versão apresentada por ele sobre o financiamento da produção.

Durante agenda em Manaus, Flávio pediu diretamente ao ministro que libere todo o conteúdo da investigação.

“Eu peço ao ministro André Mendonça: abra o sigilo, tira o sigilo de tudo, mostra tudo para o povo, porque merece saber e diferenciar quem está certo, que é o meu caso, de quem está errado, que é o caso do governo.”

O senador também defendeu que a investigação alcance todos os envolvidos e que os documentos sejam submetidos ao público.

“Mas o ministro André Mendonça está certo, gente. Ele está sendo juiz. E, assim, eu queria muito que todos no Supremo fossem iguais ao André Mendonça, que não pesassem para lado nenhum. Investiga tudo, todo mundo, com transparência. Mostra para a imprensa, mostra para o povo, vamos ver quem é que está certo”, afirmou Flávio durante agenda em Manaus.

A manifestação ocorreu depois que documentos do caso Master foram tornados públicos. O material revelou que Flávio foi formalmente incluído entre os investigados em um inquérito aberto por Mendonça a pedido da Polícia Federal e com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.

A apuração trata de suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”.

Segundo a PF, Flávio aparece nas comunicações analisadas como “interlocutor direto” de Daniel Vorcaro nas tratativas sobre a produção. Os investigadores citam registros de cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações.

A PGR também pediu o aprofundamento da apuração para verificar se houve eventual contrapartida de Flávio a Vorcaro. Entre as medidas, o órgão solicitou a análise de propostas legislativas apresentadas pelo senador para verificar uma possível “lógica de causa e efeito” entre a atuação parlamentar e o negócio relacionado ao filme.

Flávio rejeitou a hipótese de contrapartida e afirmou que sua posição de oposição ao governo impediria qualquer benefício ao banqueiro.

“Eu sou um senador de oposição. O que é que eu, como senador, podia dar em contrapartida? Nada. Eu sou oposição. Imagina, eu vou pedir para o Lula alguma coisa, aí ele vai fazer o contrário que eu estou pedindo. Então não existe contrapartida.”

O candidato também afirmou estar “muito feliz” com o avanço da investigação. Segundo ele, a análise dos documentos deverá confirmar que o filme recebeu recursos privados.

“Tem muito para ser investigado, que se investigue tudo, e eu estou muito feliz que só vão se confirmar as coisas que eu sempre falei, que o filme recebeu um patrocínio privado, não tem absolutamente nenhuma contrapartida e, com isso, a população vai ter o direito de saber quem está certo e quem está errado.”

Flávio ainda afirmou que a inclusão formal como investigado não representa uma novidade sobre a existência da apuração. Segundo ele, a decisão de abrir o inquérito foi tomada em julho e estaria sendo “requentada” por razões eleitorais.

Embora a investigação sobre o financiamento de “Dark Horse” já fosse conhecida, a retirada do sigilo tornou pública a condição formal de Flávio como investigado no procedimento.

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