O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta quinta-feira (20) que considera encerrada a controvérsia envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Durante agenda em São Paulo, Flávio disse que a prestação de contas da obra já foi realizada e classificou o episódio como uma “página virada”.
Questionado por jornalistas sobre os dados financeiros da produção, o senador afirmou que a documentação teria sido divulgada após ser vazada de um processo. Ele, porém, não apresentou publicamente novos detalhes sobre os valores recebidos, as despesas do longa ou a destinação dos recursos.
“Olha, já aconteceu. Inclusive eu vi a própria prestação de contas que foi feita do filme, foi vazada do processo que responderam e viram que estava tudo certinho. Agora, quem tem que dar explicação é o Lula, quem tem que dar explicação é o Lulinha”, afirmou.
Flávio citou ainda as investigações envolvendo o Banco Master e fez referência a mensagens atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e à lobista Roberta Luchsinger. As conversas, que mencionariam planos de futuro na Suíça, são analisadas pela Polícia Federal.
“Então, na nossa parte está tudo, página virada. Quem deve explicação agora é o PT, que é o governo mais corrupto e incompetente da história do Brasil”, declarou.
Financiamento do filme
O financiamento de “Dark Horse” entrou no centro das discussões após a divulgação de um áudio em que Flávio aparece pedindo auxílio ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção. O empresário, fundador do Banco Master, teria destinado cerca de R$ 61 milhões ao projeto.
O caso passou a ser investigado pela Polícia Federal. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para apurar os repasses e verificar se houve irregularidades ou eventual contrapartida relacionada ao senador.
Em maio, Flávio havia afirmado que pretendia divulgar o contrato referente ao financiamento. Posteriormente, também disse ter solicitado à produtora Go Up Entertainment uma prestação de contas dos gastos do filme.
Uma perícia privada contratada pela defesa da produtora apontou, em junho, custo estimado de aproximadamente R$ 75 milhões para a produção, considerando despesas no Brasil e nos Estados Unidos. O levantamento atribuiu os aportes ao Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos, sem identificar os financiadores finais.
O filme ainda não foi lançado.
Agenda em São Paulo
A declaração foi dada durante uma agenda de campanha na região de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. Flávio esteve acompanhado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP).
Durante a passagem pelo Mercado Municipal de São Miguel, houve protestos contra Flávio e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Manifestantes criticaram medidas adotadas pelo governo paulista e gritaram “Fora, Tarcísio” e “Fora, Flávio”.
Na agenda, o candidato também destacou a importância eleitoral de São Paulo e elogiou Nunes e Tarcísio.
“São Paulo é muito estratégico, eu sou muito privilegiado de estar aqui, estar ao lado de pessoas que são referência, como o prefeito Ricardo Nunes, o governador Tarcísio, que já fizeram grandes políticas públicas”, afirmou.