A Polícia Federal (PF) encaminhou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por mais prazo para ser ouvido no inquérito sobre a suposta calúnia contra o presidente Lula (PT). O ofício foi protocolado nesta sexta-feira (16), último dia do prazo concedido para a oitiva.
A corporação diz que entrou em contato com o advogado Tracy Reinaldet desde o dia 7 de julho, um dia após sair a determinação, para que ambos pudessem chegar a um acordo para o horário. A PF deu ainda a opção de depoimento por videoconferência.
A defesa justificou dizendo que o prazo concedido por Moraes foi muito curto e que a agenda da pré-campanha presidencial dificulta ainda mais, uma vez que inclui “inúmeras viagens, deslocamentos e compromissos fixados com grande antecedência, envolvendo diversas pessoas”.
Para os advogados, uma vez que outros inquéritos conduzidos por Moraes continuaram tramitando por anos sem um relatório final, não haveria prejuízo para a investigação, que iniciou há três meses e, com isso, está longe de prescrever.
“Lula será delatado”: relembre o inquérito
Flávio virou alvo do Supremo após uma postagem comemorando a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelo Exército americano. “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”, escreveu o senador.
Para se defender, o parlamentar chegou a pedir o depoimento de membros do governo americano e da ativista venezuelana María Corina Machado, além do senador Sergio Moro (PL-PR) e de ex-executivos da Odebrecht. Moraes negou todos os depoimentos.
A PF já havia terminado seu trabalho com a oferta de um relatório. Mas para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Flávio deve ser ouvido para, caso queira, pedir desculpas. O Código Penal estabelece que uma retratação pública isenta o réu da pena.
A Gazeta do Povo entrou em contato com a assessoria de Flávio Bolsonaro. O espaço segue aberto para manifestação.