O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, afirmou nesta quinta-feira (9) que segue aberto ao diálogo com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e espera contar com o apoio dela em sua campanha. Após retornar de uma viagem aos Estados Unidos, ele defendeu a união da direita para enfrentar o PT nas eleições de 2026.
As declarações foram dadas um dia após o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmar que a direita precisa “se entender melhor” para aumentar as chances de vitória nas eleições presidenciais. O dirigente também disse acreditar que o cenário político ainda pode sofrer mudanças e anunciou que pretende atuar pessoalmente para reaproximar Flávio e Michelle nas próximas semanas.
“Eu estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente para ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa”, declarou o senador a jornalistas ao desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.
Flávio Bolsonaro também afirmou acreditar que Michelle compartilha de sua visão política e acrescentou que “ninguém aguenta mais quatro anos de PT” e que “tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil, que é o atual governo”.
O desgaste entre os dois teve início durante as negociações sobre o apoio do PL à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB-CE) ao governo do Ceará e à disputa por uma vaga ao Senado no estado. As divergências levaram Michelle a divulgar um vídeo nas redes sociais com críticas ao enteado.
A ex-primeira-dama afirmou ter sido “maltratada”, “humilhada” e “desrespeitada” por Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o senador teria dito que seria melhor ela “ficar fora das decisões do partido”, alegando que ela havia “chegado ontem” e que “não entendia nada de política”.
Michelle também afirmou que, após o episódio, concluiu que seu apoio político à pré-candidatura presidencial de Flávio “não era desejado ou era insignificante”. Para ela, o partido deveria apoiar o senador Eduardo Girão e afirmou que Ciro já havia feito ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a seus filhos.
Após a repercussão das declarações, Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo redes sociais pedindo desculpas. O senador afirmou que nunca teve a intenção de ofender a ex-primeira-dama e manifestou respeito pelo trabalho que ela desenvolveu à frente do PL Mulher.
Posteriormente, Michelle afirmou que não guardava mágoas e disse que o objetivo de suas declarações era apenas esclarecer os fatos. Ela também defendeu a união do grupo político para concentrar esforços na oposição ao governo federal.
Mesmo após o gesto de conciliação, Michelle deixou oficialmente a presidência nacional do PL Mulher no fim de junho deste ano. A decisão ocorreu após uma reunião com Valdemar Costa Neto e foi atribuída ao desgaste provocado pela crise familiar e política com o senador.