O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, voltou a elevar os juros nesta quarta-feira (16), interrompendo um ciclo de mais de três anos sem aumento da taxa. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) aprovou, por unanimidade, uma alta de 0,25 ponto percentual, levando os Fed funds para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano.
A última elevação havia ocorrido em julho de 2023. Desde então, o Fed passou por um período de manutenção e, posteriormente, iniciou um ciclo de cortes. A taxa estava entre 3,5% e 3,75% desde dezembro de 2025.
A decisão desta quarta-feira era amplamente esperada pelo mercado financeiro. Entre os fatores considerados pelo banco central americano estão a permanência da inflação em nível elevado e as incertezas provocadas pelo cenário geopolítico, que também pressionaram os preços de energia.
Em comunicado, o Fomc afirmou que a atividade econômica continua avançando em ritmo sólido e que os gastos das famílias permanecem resilientes. O comitê também destacou que o mercado de trabalho segue relativamente estável, com a geração de empregos acompanhando o crescimento da força de trabalho.
A inflação, entretanto, continua acima do objetivo estabelecido pelo Fed. O banco central considera que a elevação dos juros contribuirá para acelerar a convergência dos preços à meta de 2%.
Fed sinaliza nova alta
As novas projeções divulgadas junto com a decisão indicam que a maioria dos dirigentes do Fed espera pelo menos mais uma elevação de 0,25 ponto percentual ainda em 2026.
As projeções apontam para uma taxa de juros entre 4% e 4,25% ao fim deste ano. Para 2027, a estimativa também é de encerramento nessa mesma faixa.
O Fed também revisou suas previsões econômicas. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos em 2026 passou de 2,2% para 2,3%. Para 2027, a projeção subiu de 2,3% para 2,4%.
Já a previsão para a inflação medida pelo índice de gastos de consumo pessoal (PCE) foi elevada de 3,6% para 3,7% em 2026. Para 2027, a expectativa permaneceu em 2,3%, enquanto a projeção para 2028 passou de 2% para 2,1%.
Pelas estimativas apresentadas pelo banco central, a inflação só deve retornar à meta de 2% em 2029.
Pressão sobre o dólar e reflexos no Brasil
A política monetária americana tem impacto sobre os mercados internacionais porque juros mais elevados tornam os títulos do Tesouro dos Estados Unidos mais atrativos para investidores.
Com maior remuneração e considerados ativos de referência no mercado global, os Treasuries podem estimular a transferência de recursos para os Estados Unidos. Esse movimento tende a fortalecer o dólar e pode reduzir o fluxo de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Para a economia brasileira, uma valorização do dólar pode aumentar os custos de produtos e insumos importados e contribuir para pressões inflacionárias. O cenário externo, portanto, entra no conjunto de fatores monitorados pelo Banco Central brasileiro na definição da Selic.
O Comitê de Política Monetária (Copom) também se reúne nesta quarta-feira para definir a taxa básica de juros do Brasil. A expectativa do mercado é de uma redução de 0,25 ponto percentual, dos atuais 14% para 13,75% ao ano.
Mudança no comando do Fed
A decisão desta quarta-feira também marca a primeira alteração de juros do Fed sob a presidência de Kevin Warsh, que assumiu o comando da instituição em maio após ser indicado pelo presidente Donald Trump.
A mudança ocorreu depois de um período de pressão política de Trump sobre o banco central. O presidente americano vinha defendendo juros mais baixos e criticando o nível das taxas mantido pelo Fed.
Warsh, por sua vez, havia indicado que pretende conduzir a inflação de volta à meta de 2% e utilizar os juros conforme necessário para atingir esse objetivo.
O comunicado divulgado nesta quarta-feira não apresentou uma orientação explícita sobre o próximo movimento do Fomc. A trajetória indicada pelas projeções, porém, aponta para a possibilidade de novo aumento ainda neste ano.