Carlos Fávaro decidiu manter-se fora do Senado e não deve votar em Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro da Agricultura afirmou que seu suplente, José Lacerda (PSD-MT), está alinhado com o governo e atuará para garantir a aprovação do nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Fávaro declarou que não pretende reassumir o mandato de senador apenas para votar na sabatina. Ele considera que sua presença no ministério contribui mais nesse momento e que Lacerda representa com fidelidade sua posição.
Lula indicou Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF. O advogado-geral da União precisa de 14 votos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para avançar. Até agora, conta com cerca de 10 garantidos. O governo tenta adiar a votação para ganhar tempo e ampliar o apoio.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcou a sabatina para 10 de dezembro. Líderes do Planalto ainda negociam mudanças na data para garantir margem segura.
A escolha do momento é estratégica. Nos bastidores, havia receio de que a primeira suplente de Fávaro, Margareth Buzetti (PP-MT), reassumisse a cadeira. Em julho, ela atribuiu a Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a responsabilidade pelas medidas cautelares aplicadas a Jair Bolsonaro, o que gerou desconfiança entre aliados de Lula.
Lula se reuniu com o senador Weverton Rocha (PDT-MA) nesta segunda-feira, 1º de dezembro. O congressista é relator da indicação de Messias ao STF.
Ainda nesta semana, o petista pretende encontrar Alcolumbre para discutir o clima político no Senado e buscar um acordo que facilite a tramitação da indicação. A tensão entre Executivo e Legislativo aumentou nas últimas semanas, e o Planalto tenta conter novas crises antes do recesso.