A esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, além do advogado Willer Tomaz, apontado como amigo pessoal do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foram alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (4) pela Polícia Federal. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à fraude de R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos de aposentadorias e pensões do INSS.
A Gazeta do Povo apurou, com fontes a par da investigação, que o senador não é alvo desta fase da operação, mas continua entre os investigados pela Polícia Federal. As ordens judiciais expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) totalizam 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.
A reportagem procura os citados como alvos pela operação e aguarda retorno.
Segundo a investigação, há indícios de movimentações financeiras e patrimoniais realizadas, em tese, por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie. O objetivo dessas práticas seria ocultar a origem e a destinação dos recursos supostamente obtidos com a fraude.
A Polícia Federal apura a origem do dinheiro, a finalidade dos repasses e a participação individual de cada investigado no esquema. A investigação também busca identificar quem se beneficiou dos valores desviados e como os recursos foram movimentados.
As primeiras imagens das apreensões divulgadas pela Polícia Federal apontam uma grande quantidade de dinheiro em espécie de notas de real e uma máquina de contar as cédulas.

Envolvimento de Weverton com a fraude no INSS
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador Weverton Rocha tenha mantido vínculos com investigados apontados como operadores do esquema e de que possa ter se beneficiado de operações financeiras supostamente ligadas à organização criminosa. O senador nega irregularidades e afirma que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos.
Em fases anteriores da operação, a Polícia Federal chegou a solicitar a prisão preventiva de Weverton Rocha, mas o pedido foi rejeitado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação contrária da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O magistrado autorizou apenas medidas cautelares, como busca e apreensão, destacando a necessidade de continuidade das investigações para esclarecer os fatos.
Proximidade de advogado com Flávio
Willer Tomaz é citado como amigo pessoal de Flávio Bolsonaro e recebeu manifestações públicas de apoio do senador durante a CPI da Covid-19. O advogado também foi preso em 2017 na Operação Patmos, desdobramento das delações da JBS e do grupo J&F, acusado de intermediar propinas e obter informações sigilosas da Operação Greenfield com auxílio do então procurador da República Ângelo Goulart Villela, que também foi preso.
A Gazeta do Povo apurou ainda que Tomaz atuou, mais recentemente, na defesa de Flávio Bolsonaro no caso da emissão de notas fiscais de R$ 500 mil para a Copenhagen Consultoria, apontada como empresa de fachada utilizada pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para movimentar cerca de R$ 58 milhões. Essas duas notas foram canceladas no mesmo período.
Desde o início da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal estima que os desvios provocados pelos descontos irregulares em benefícios do INSS, entre 2019 e 2024, possam chegar a R$ 6,3 bilhões.