O comando do Exército de Israel recebeu orientação para transmitir, em Gaza, o discurso do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na Assembleia-Geral da ONU. A ordem, conforme revelaram fontes militares a veículos de imprensa locais, gerou preocupação e foi vista como arriscada, mas os militares informaram a pretensão de cumpri-la integralmente.
Segundo relatos, a iniciativa partiu diretamente do gabinete do premiê e consiste em usar alto-falantes instalados em caminhões posicionados ao longo da fronteira, projetando a fala de Netanyahu sobre o enclave palestino. Oficiais das Forças Armadas descreveram a medida como uma ação de guerra psicológica, mas questionaram sua eficácia e segurança.
“É uma ideia tresloucada”, afirmou um oficial ouvido pelo jornal Haaretz. “Pessoas de todo o espectro político estão se perguntando que delírio é esse. Ninguém entende o benefício militar aqui.” Outra fonte, citada pela emissora israelense Keshet 12, destacou que o alto-comando militar mostrou resistência e alertou para riscos à segurança dos soldados, mas garantiu que a ordem seria cumprida.
O jornal Jerusalem Post publicou imagens do momento em que caminhões militares transportam grandes alto-falantes. Um soldado disse ao portal i24News que a missão foi “uma das mais perigosas” de sua vida e que os militares não informaram “o real objetivo” da ação.
Antes de viajar a Nova York, Netanyahu declarou que levaria à ONU a “verdade de Israel” e criticaria líderes que, “em vez de denunciar os assassinos, estupradores e queimadores de crianças, querem dar a eles um Estado no coração da Terra de Israel”. O primeiro-ministro reforçou que não aceitará a criação de um Estado palestino.
Netanyahu reitera “caçada” ao Hamas em discurso na ONU
Em seu discurso, Netanyahu afirmou que Israel continuará com operações militares contra o grupo terrorista Hamas. Ele usou um grande broche com um QR code que, ao ser escaneado, leva a um vídeo com imagens do ataques terrorista de 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1,2 mil pessoas, fez 251 reféns e deflagrou a fase atual da guerra.
O primeiro-ministro israelense criticou o reconhecimento do Estado palestino, promovido pela França, Reino Unido e outros países. “Dar um Estado aos palestinos a 1 milha de Jerusalém depois do 7 de outubro é como dar um Estado para a Al Qaeda a 1 milha de Nova York depois do 11 de setembro”, comparou.
Durante o discurso do premiê israelense, delegações de vários países deixaram o plenário, incluindo a do Brasil. Segundo o Jerusalem Post, a ação foi coordenada pela delegação palestina.
Enquanto a tensão política aumenta, as operações militares seguem intensas em Gaza. O Exército de Israel afirmou que cerca de 700 mil pessoas deixaram a cidade de Gaza desde o fim de agosto, em meio à ofensiva terrestre. Estimativas da ONU revelam que 1 milhão de pessoas viviam nessa área antes do início das ações militares.