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Ex-primeiro-ministro de Israel defende governo de união nacional

O israelense Naftali Bennett, de 53 anos, não é apenas um ex-primeiro-ministro de Israel (junho de 2021 a junho de 2022). Ele é candidato ao cargo, na tentativa de substituir Benjamin Netanyahu nas próximas eleições, a princípio em outubro de 2026.

A vinda dele ao Brasil, o único país que visitou nesta viagem pontual, de certa maneira, deixou isso claro, apesar de, no evento público do qual participou, nesta quarta-feira, 26, no clube Hebraica, em São Paulo, ele não ter declarado isso. Toda a organização foi similar à que seria feita em relação à visita de um chefe de Estado.

Bennett chegou ao Brasil no início da semana e, antes de falar em público, manteve a discrição, por meio de reuniões com líderes comunitários e empresários. O evento foi realizado pela StandWithUs Brasil, em parceria com a Federação Israelita do Estado de São Paulo e a Confederação Israelita no Brasil, entre outras,

No discurso, o ex-primeiro-ministro elogiou a comunidade judaica de São Paulo, definindo-a como a mais atuante do mundo, e pediu que esta continue ajudando a defender Israel de críticas.

“Tenho que lhe dizer que o apoio significa muito para nós, e suas ações nos afetam muito em Israel e nos ajudam a nos curar e a processar o que estamos passando”, disse Bennett, em um discurso bem-humorado, sob aplausos.

“Muito obrigado, vocês são uma grande força para nós. Nós temos muitos meses para continuarmos juntos se queremos vencer nesta guerra e nesta outra, então obrigado pela sua ajuda e pelo seu apoio em Israel.”

Em Israel, segundo a mídia local, ele é candidato declarado. Bennett criticou, em outubro, um projeto de lei que obriga os seus partidos anteriores a quitarem dívidas antes de ele se candidatar novamente.

A emissora Kan, relata o The Jerusalem Post, declarou que as dívidas são de 17 milhões de shekalim (R$ 27,8 milhões), pelo Habait Hayehudi, e 3 milhões de shekalim (R$ 4,9 milhões) pelo Yamina. Na ocasião, Bennett criticou seu ex-aliado Netanyahu.

“Apenas um governo fracassado, obcecado com sua sobrevivência pessoal e política, tem medo de me enfrentar”, afirmou o candidato, no mês passado. “É por isso que está tentando aprovar uma lei antidemocrática e pessoal destinada a me impedir de concorrer e a impedir o país de avançar rumo à unidade e à recuperação.”

Ele acrescentou: “Isso não vai funcionar. A lei é inconstitucional e será anulada imediatamente”.

Durante a fala em São Paulo, Bennett mesclou momentos em que defendeu e louvou a força de Israel e outros nos quais criticou o atual governo, sem citar nomes. Atribuiu o 7 de outubro a uma “falha colossal”.

“O que estamos vendo agora é algo que não sabíamos — nem eu sabia”, disse o candidato. “Eu achava que conhecia Israel. Sempre soube que a nova geração é brilhante: a geração da startup nation, do high-tech, ágil, rápida, criativa, flexível. Mas eu não sabia que eles eram fortes.”

Do ponto de vista ideológico, ele tem afinidade com o atual primeiro-ministro, do qual já foi aliado, inclusive com atuação como chefe de gabinete quando Netanyahu era oposição, em 2006. Em tese, ambos são favoráveis às colônias na Cisjordânia e contra a criação de um Estado Palestino neste momento.

Quando entrou para a política, Bennett tinha acabado de vender sua startup de cibersegurança, o que lhe deu estofo financeiro para se tornar interessante politicamente.

Fundou um partido em 2012 (o Habait Hayehudi; A Casa Judaica), entrou para o Knesset (Parlamento) e, já no modelo de aliança com o governo, se tornou ministro da Economia e ministro dos Serviços Religiosos.

Àquela altura, Bennett tinha se afastado de Netanyahu, por considerar que, apesar de também direitista, o primeiro-ministro era pragmático e tinha cautela em relação à política de assentamentos.

Antes de assumir a cadeira, renunciou à cidadania norte-americana que possuía, por ter morado nos EUA durante a infância e adolescência com a família.

Críticas de Naftali Bennett ao atual governo

Com o tempo, Bennett se tornou um ferrenho opositor de Netanyahu. Ele considera que o atual governo precisa deixar o poder. Um dos motivos é a imagem de Israel perante grande parte do mundo.

“Para entender, pense em estereótipos básicos: se alguém fala ‘Itália’, você pensa em pizza; se fala ‘Brasil’, pensa em futebol”, declarou o ex-primeiro-ministro ao público paulista.

“Se você perguntar a alguém em Londres ou Nova York o que lhe vem à cabeça quando ouve ‘Israel’, infelizmente muitos dirão ‘genocídio’. Isso é um desastre. Essa é a nossa marca hoje. Precisamos reconhecer isso, porque afeta diretamente nossa posição internacional. Políticos dependem do humor público e, se a opinião pública se volta contra Israel, mesmo políticos que sabem o que é certo acabam seguindo o que seus eleitores exigem.”

A solução para ele é algo que já tentou fazer e não conseguiu: um governo de união nacional, que abarcou todo o espectro político, inclusive um partido da minoria árabe pela primeira vez.

No governo de Bennett, que se revezou com Yair Lapid (partido Yesh Atid; Há Futuro) como primeiro-ministro, a aliança ruiu, em pouco mais de um ano, por causa da polêmica em torno da renovação da lei que regula a aplicação da lei civil de Israel a colonos na Cisjordânia. Ela manteria israelenses na Cisjordânia sob leis civis israelenses.

Três deputados, entre eles Idit Silman e Nir Orbach, do próprio Yamina, liderado por Bennett, deixaram a coalizão por não concordarem com a não aprovação do projeto. Outra que deixou a aliança foi Ghaida Rinawie Zoabi. Ela, como membro do esquerdista Meretz, acusava a coalizão de estar pendendo para a direita.

Agora, em outro contexto, depois do 7 de outubro, Bennett, atualmente sem cargo público, prega nova união. Com ele como primeiro-ministro. Se no Brasil ele não confirmou, em Israel já disse que almeja o cargo, tendo fundado, inclusive, o partido Bennett 2026.

“Eu imagino um governo israelense de unidade nacional, reunindo direita e esquerda, religiosos e seculares”, declarou Bennett diante da plateia em São Paulo.

“Um governo capaz de contar uma nova história sobre a reconstrução da nação israelense, forte por dentro e por fora. Com estabilidade, poderíamos reiniciar relações, retomar o caminho da normalização com países como Arábia Saudita, Indonésia e outros, e consolidar um Oriente Médio mais estável.”

Ele deu a entender que o 7 de outubro pode servir como impulso, a partir da recuperação de Israel e das vitórias conquistadas. Internamente, Bennett critica Netanyahu. Mas, ao falar do país, busca se mostrar como um representante de Israel.

“O que precisamos fazer agora? Ser forte é fundamental; é a base de tudo”, destacou Bennett.

“Israel precisa, antes de tudo, manter sua força. Mas isso não basta. Temos que fazer o bem, reconstruir relações internacionais e regionais e recuperar nossa imagem. Acredito que um novo governo — e não o atual — poderá conduzir esse processo de restauração e reconstrução diplomática.”

Via Revista Oeste

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