O professor de Relações Internacionais Gabriel Cepulani afirmou, em entrevista ao Jornal da Oeste nesta sexta-feira, 24, que a movimentação de aviões militares dos EUA na região do Caribe não representa uma preparação para a guerra. Na visão do especialista, trata-se de um recado estratégico às ditaduras de esquerda na América Latina. “A medida busca demonstrar força diante de regimes que, eventualmente, tentem interferir nos interesses dos Estados Unidos”.
Para Cepulani, os aviões não estão no Caribe para atacar. “Eles servem mais para mandar um recado às ditaduras da região, especialmente as de esquerda”. O professor acrescenta que o caso mais simbólico é o do ditador Nicolás Maduro, pela relevância geopolítica do país e pelo tipo de regime estabelecido em Caracas.
EUA: ataque pontual
O analista destacou que o atual presidente norte-americano, Donald Trump, mantém um perfil historicamente pacífico em relação a campanhas militares. “Ele não gosta de guerras longas. Se houver algum ataque, deve ser pontual, como o que ocorreu no Irã”. Cepulani avalia que o poderio militar dos Estados Unidos é incomparável e que nenhum país do continente tem condições de confrontar a potência norte-americana.
Na avaliação do professor, uma eventual operação terrestre seria “basicamente cirúrgica”. Segundo ele, Washington dispõe de ampla estrutura de inteligência e recursos para enfraquecer a presidência de Maduro e, eventualmente, retirá-lo do poder. “Não se trata de uma guerra ampla, muito menos de uma guerra de longo prazo”.
Ao ser questionado sobre como o Direito Internacional define ações terroristas e até que ponto um Estado pode classificar outro grupo como terrorista, o professor explicou que os conceitos variam conforme o contexto político. “Em certas interpretações, o terrorismo não se limita a motivações ideológicas”.
“Se entendermos terrorismo como ações extremas de violência que interferem em governos, grupos como o PCC e o Comando Vermelho poderiam ser enquadrados dessa forma”, disse. O professor citou casos de assassinatos em locais públicos e ataques contra autoridades como exemplos de práticas com características terroristas.