O Ministério Público Federal do Distrito Sul de Nova York propôs nesta terça-feira (21) que o julgamento do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, acusados de tráfico de drogas, comece em junho de 2027, segundo um documento apresentado a um tribunal federal do estado.
A proposta da promotoria surge antes de uma audiência marcada para esta quarta-feira para discutir o cronograma do julgamento de Maduro. A defesa planeja apresentar seus argumentos iniciais em setembro, e o governo espera entregar a maior parte das provas sigilosas em novembro.
De acordo com o documento judicial, consultado pela Agência EFE, a promotoria prevê que as partes conseguirão concluir a fase de troca de provas antes do início do julgamento, embora o processo ainda inclua diversas etapas preliminares, como a apresentação de moções pela defesa e a análise de material sigiloso relacionado ao caso.
O documento também indica que o governo dos EUA espera avançar na divulgação de informações sigilosas nos próximos meses, enquanto a defesa terá até o início de 2027 para apresentar novas moções antes que o tribunal defina o cronograma final do julgamento. O ditador chavista e sua esposa comparecerão a uma nova audiência nesta quarta-feira para revisão do processo criminal contra eles, que inclui acusações de conspiração para cometer narcoterrorismo e importação de cocaína.
Esta será a terceira audiência realizada em Nova York desde a prisão do casal em sua residência em Caracas, em 3 de janeiro. O ditador venezuelano se declarou inocente em um tribunal de Nova York em janeiro e está preso há mais de seis meses em uma penitenciária federal no Brooklyn.
De acordo com uma análise recente do The New York Times, os tribunais dos EUA podem “não ter jurisdição para julgar o caso” devido a uma lei ratificada pelos próprios EUA.
É possível que amanhã as equipes jurídicas dos réus, lideradas por Barry Pollack e Mark Donnelly, tentem extinguir o processo com base justamente nas circunstâncias e nos procedimentos de sua prisão em Caracas.
Em abril passado, os EUA concordaram em modificar as sanções contra a Venezuela para permitir que o regime venezuelano arcasse com os honorários advocatícios dos advogados dos réus, o que tem sido um dos pontos mais discutidos nas audiências anteriores.