Estados governados pelo Partido Republicano estão anunciando investigações contra o médico Anthony Fauci, que coordenou a resposta do governo dos Estados Unidos à Covid-19, após ele ter se recusado na quarta-feira passada (29) a responder a perguntas de senadores em uma audiência sobre as origens da pandemia e suas ações durante esse período.
Em comunicado no fim de semana, a procuradora-geral da Louisiana, Liz Murrill, disse que seu estado também realizará investigações, após sinalizações nesse sentido feitas pelo Alabama e pela Flórida.
“Fauci mentiu. Louisiana e Missouri interrogaram o doutor Fauci. À época, ele alegou não se lembrar de muitos detalhes importantes das suas próprias ações e agora estamos descobrindo registros contemporâneos que ele mantinha”, escreveu Murrill, fazendo referência ao diário do médico, cujo conteúdo foi divulgado em julho.
“A Louisiana se unirá ao Alabama e à Flórida na investigação de Fauci para apurar se ele cometeu outras infrações que poderiam ser processadas em nossos tribunais estaduais”, acrescentou a procuradora.
Na semana passada, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, havia anunciado a abertura de uma investigação sobre Fauci.
“A falta de sinceridade de Fauci perante o Congresso é inacreditável”, escreveu Uthmeier nas redes sociais. “Meu gabinete está iniciando uma investigação sobre o doutor Fauci. Já passou da hora de descobrirmos a verdade sobre o que aconteceu durante a Covid.”
Diante do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado americano, em uma audiência para a qual foi intimado pelo senador Rand Paul, Fauci citou o que caracterizou como uma “óbvia obsessão” do parlamentar republicano por incriminá-lo como motivo para se recusar a falar.
Ele invocou seu direito à Quinta Emenda da Constituição americana, que protege contra a autoincriminação, para não responder a mais de cem perguntas feitas durante a audiência. Paul afirmou que haverá uma votação para decidir se a atitude do médico configurou desacato ao Congresso americano.
Diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas entre 1984 e 2022, Fauci é acusado pelos republicanos de ter escondido informações sobre a origem da Covid-19 e ter errado na condução da resposta à pandemia.
No final da sua gestão, o presidente democrata Joe Biden (2021-2025) concedeu um perdão presidencial preventivo a Fauci contra eventuais acusações federais por questões relativas à pandemia, mas ele ainda pode ser alvo de processos judiciais nos estados.