O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) iniciou nesta segunda-feira (6) em Washington as audiências para discutir a tarifa de 25% que o órgão sugeriu que seja aplicada a importações americanas de produtos brasileiros.
Além de inscritos do Brasil, como entidades do setor produtivo e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que falará nesta terça-feira (7) na capital americana, representantes de empresas e órgãos americanos também estão falando nas audiências.
A Growth Energy, a maior associação do setor de biocombustíveis dos EUA, adiantou o depoimento que o seu vice-presidente sênior de assuntos regulatórios, Chris Bliley, fará nesta segunda-feira e cujo teor será de apoio às tarifas, alegando que o Brasil busca mascarar o desmatamento ilegal e impedir a participação de produtos dos EUA nos mercados de combustíveis renováveis.
“O Brasil continua a alimentar alegações infundadas sobre mudanças no uso das terras atribuídas ao etanol dos EUA — embora as mudanças no uso da terra e o desmatamento continuem ocorrendo no próprio Brasil. E, surpreendentemente, somos penalizados por reguladores, tanto aqui quanto no exterior, por questões relacionadas a mudanças no uso da terra que acontecem no Brasil”, Bliley afirmará em seu depoimento oral, segundo a Growth Energy.
“Essas penalidades infundadas prejudicam diretamente nossas exportações de etanol para o Reino Unido, o Japão e a União Europeia, além de representarem barreiras intrínsecas ao uso do etanol americano como combustível marítimo ou de aviação sustentável. Tudo isso enquanto o Brasil continua buscando um tratamento privilegiado para seus próprios produtores. Isso não faz sentido”, acrescentou.
Segundo informações do site UOL, outro representante do setor produtivo americano a falar a favor das tarifas foi Bill Bullard, do Fundo de Ação Jurídica de Pecuaristas e Criadores de Gado Unidos da América, que se opôs à recomendação de que a nova sobretaxa não seja aplicada à carne bovina do Brasil.
“É a crescente penetração de importações do Brasil e de outros países que está causando danos irreparáveis [aos produtores americanos]”, alegou.
Por outro lado, Andrew LaVigne, presidente da Associação Americana do Comércio de Sementes, afirmou que “tarifas sobre sementes causariam mais danos econômicos do que qualquer benefício potencial decorrente de alterações nas políticas de propriedade intelectual do Brasil”.
Mark Bitting, da Gehring Montgomery, empresa americana que distribui cera de carnaúba para indústrias dos EUA, foi na mesma linha, ao dizer que “na prática, a tarifa se tornará um novo imposto sobre o consumidor americano”.
No início de junho, o USTR divulgou o resultado de uma investigação iniciada em 2025 e acusou o Brasil de práticas comerciais injustas, como suposta preferência ao Pix entre serviços de pagamento eletrônico, tarifas “desleais e preferenciais” e falhas na aplicação de medidas anticorrupção, na proteção da propriedade intelectual e no combate ao desmatamento ilegal.
As audiências públicas, que estão sendo realizadas na Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington, são uma das últimas etapas antes do governo Donald Trump tomar uma posição sobre se a sobretaxa de 25% – que o USTR recomendou que não seja aplicada a vários produtos, como carne bovina, terras raras e aeronaves – será realmente imposta.