O jornal norte-americano Dallas Express obteve uma carta enviada por Hugo Carvajal Barrios ao presidente norte-americano, Donald Trump. Ex-diretor de Inteligência Militar da Venezuela e figura-chave nos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, Carvajal cumpre pena nos Estados Unidos por narcoterrorismo. Ele afirma que o regime venezuelano atua como organização criminosa voltada a prejudicar os EUA.
Carvajal — extraditado da Espanha depois de anos de buscas — diz que Maduro, Diosdado Cabello e altos-comandos transformaram o Estado venezuelano em um cartel.
A carta acusa o regime de armar o tráfico, infiltrar agentes, exportar o Tren de Aragua e manipular sistemas eleitorais. Ele declara apoio às políticas de Trump e oferece mais informações às autoridades norte-americanas.
Principais pontos da carta de Carvajal
No documento, Carvajal afirma estar disposto a fornecer mais detalhes em depoimentos sigilosos. Caso sua colaboração seja considerada relevante, pode reduzir sua pena.
Se confirmadas, as informações podem influenciar a política dos EUA para a Venezuela e reforçar investigações de narcoterrorismo e espionagem na América Latina.
- Carvajal afirma que a Venezuela funciona como “narco-organização” que usa drogas como arma contra os EUA;
- Alega colaboração do regime com Farc, ELN, Hezbollah e inteligência cubana;
- Diz que o Tren de Aragua foi exportado para os EUA depois de 2021 e recebe ordens diretas de Caracas;
- Relata infiltração de espiões venezuelanos e cubanos em bases militares norte-americanas.
- Afirma que o sistema Smartmatic pode ser manipulado e foi criado para manter o chavismo no poder; e
- Diz apoiar a política de Trump e se coloca à disposição para depoimentos sigilosos.
Confira a íntegra da carta de Carvajal
CARTA DE HUGO CARVAJAL BARRIOS AO PRESIDENTE DONALD J. TRUMP
Estados Unidos da América
2 de dezembro de 2025
“Prezado Presidente Trump e Povo dos Estados Unidos,
Meu nome é Hugo Carvajal Barrios. Por muitos anos, fui um membro de alta patente do regime venezuelano. Fui um general de três estrelas, confiado tanto por Hugo Chávez quanto por Nicolás Maduro, e servi como diretor de Inteligência Militar e Deputado na Assembleia Nacional. Hoje, estou em uma prisão norte-americana, porque me declarei culpado, voluntariamente, dos crimes que me foram imputados: uma conspiração de narcoterrorismo. Escrevo para expiar, contando toda a verdade, para que os Estados Unidos possam se proteger dos perigos que testemunhei por tantos anos.
Rompi publicamente com o regime de Maduro em 2017 e fugi do meu país sabendo que enfrentaria acusações criminais nos Estados Unidos. Ao fazer isso, tornei-me inimigo deles. Mesmo ciente dos riscos, agi com a mais forte convicção de desmantelar o regime criminoso de Maduro e levar liberdade ao meu país. Hoje, vejo a necessidade de me dirigir ao povo norte-americano sobre a realidade do que o regime venezuelano realmente é — e por que as políticas do presidente Trump não são apenas corretas, mas absolutamente necessárias para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Narcoterrorismo
Eu testemunhei pessoalmente como o governo de Hugo Chávez se tornou uma organização criminosa, que agora é comandada por Nicolás Maduro, Diosdado Cabello e outros altos-comandos do regime.
O objetivo dessa organização, agora conhecida como Cartel dos Sóis, é usar as drogas como arma contra os Estados Unidos. As drogas que chegaram às suas cidades por novas rotas não foram acidentes de corrupção, nem apenas obra de traficantes independentes; foram políticas deliberadas coordenadas pelo regime venezuelano.
Esse plano foi sugerido pelo regime cubano nos anos 2000 e executado com ajuda das Farc, do ELN, de agentes cubanos e do Hezbollah. O regime forneceu armas, passaportes e impunidade para que organizações terroristas operassem livremente a partir da Venezuela contra os Estados Unidos.
Tren de Aragua
Eu estava presente quando decisões foram tomadas para organizar e armar quadrilhas criminosas em toda a Venezuela para proteger o regime — entre elas o Tren de Aragua. Chávez ordenou o recrutamento de líderes criminosos em prisões para defender “a revolução”. Depois de sua morte, Maduro ampliou a estratégia, exportando criminalidade para atingir exilados políticos e manipular estatísticas internas.
Líderes foram instruídos a enviar milhares de membros para fora do país. A operação envolveu o Ministério do Interior, Ministério das Prisões, Guarda Nacional e polícia. O Tren de Aragua tornou-se o mais efetivo.
Quando a política de fronteiras abertas Biden–Harris se tornou conhecida, eles aproveitaram para enviar operativos aos EUA. Agora, há pessoal armado em solo norte-americano, instruído a continuar sequestrando, extorquindo e matando. Cada crime cometido é um ato ordenado pelo regime.
Espionagem e contrainteligência
Eu estava presente quando a inteligência russa propôs a Chávez interceptar cabos submarinos de internet para acessar comunicações dos EUA. Em 2015, alertei Maduro que permitir aos russos instalarem uma estação secreta de escuta na Ilha La Orchila atrairia ataques norte-americanos. Ele ignorou.
Por 20 anos, o regime enviou espiões aos Estados Unidos — muitos ainda atuam, alguns disfarçados de opositores. A inteligência cubana mostrou-me suas redes em bases navais da Costa Leste. Eles se gabaram de ter enviado milhares de agentes, alguns hoje políticos de carreira.
Diplomatas norte-americanos e agentes da CIA foram pagos para ajudar Chávez e Maduro a permanecerem no poder. Alguns seguem ativos.
Smartmatic e eleições
A Smartmatic nasceu como ferramenta eleitoral do regime e evoluiu para garantir sua permanência ilimitada no poder. Eu nomeei o chefe de TI do CNE, que se reportava diretamente a mim. O sistema Smartmatic pode ser alterado — este é um fato. A tecnologia foi exportada, inclusive para os EUA.
Operadores do regime mantêm contato com autoridades eleitorais e empresas de votação nos EUA. Não digo que todas as eleições foram fraudadas, mas afirmo que podem ser e já foram manipuladas.
Povo dos Estados Unidos, não se engane: permitir que uma organização narcoterrorista atue livremente no Caribe e na América Latina significa aceitar uma ameaça direta, que financia o antiamericanismo e facilita operações de organizações hostis aos EUA.
O regime que servi está em guerra com vocês, usando drogas, gangues, espionagem e até seus processos democráticos como armas. As políticas do presidente Trump são justificadas e necessárias. Ele pode estar subestimando o que o regime fará para manter o poder.
Apoio totalmente a política do presidente Trump. Estou pronto para fornecer mais detalhes ao governo norte-americano.
Hugo Carvajal Barrios
Estados Unidos da América
2 de dezembro de 2025″