A Polícia Federal (PF) encontrou mensagens que expõem uma disputa entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Kalil Bittar, antigo sócio do filho do presidente. Em uma conversa analisada no inquérito, a lobista Roberta Luchsinger, sócia de Lulinha, avisou que Kalil estaria usando o nome do empresário e sua suposta influência junto ao presidente Lula para tentar fechar um negócio na Telebras. As informações foram reveladas pela revista Veja.
“Kalil vendendo vc e a grande influência dele p (para) o presidente da Telebras. Quase fechando um negócio gigante”, escreveu Roberta.
Na mesma conversa, a sócia de Lulinha descreveu a estratégia: “Vendendo facilidades, Telebras contrata ele, plataforma dele, coisas que ele indicar”.
Lulinha, segundo as mensagens, reagiu à informação e orientou Roberta a desmentir a atuação de Kalil.
O episódio é analisado pela PF dentro da investigação sobre a atuação de um grupo que, segundo os investigadores, fazia a interlocução de interesses junto a órgãos da administração pública federal. A apuração envolve Lulinha, Roberta e Fernando Bittar.
Kalil também era sócio de Lulinha
Kalil Bittar tem uma relação empresarial antiga com Lulinha. Os dois foram sócios na Gamecorp. Kalil também é irmão de Fernando Bittar, outro antigo sócio e amigo de Lulinha, que aparece nas mensagens investigadas pela PF como integrante do mesmo núcleo de atuação de Roberta e do filho de Lula.
A relação entre Lulinha e Kalil se desgastou durante a Lava Jato. Na ocasião, vieram a público gravações envolvendo Kalil e Renata, mulher de Lulinha, que levantaram questionamentos sobre a proximidade entre os dois.
Apesar do fim da sociedade formal, os dois continuaram relacionados a negócios, inclusive no exterior.
Kalil virou alvo de outra operação da PF
O empresário também passou a ser investigado em outra frente da Polícia Federal. Em 2025, Kalil foi alvo da Operação Coffee Break, que apurou suspeitas de superfaturamento em contratos de municípios paulistas para aquisição de material didático e kits de robótica.
Segundo a investigação, Kalil estaria entre os nomes utilizados para manter interlocução e influência na liberação de recursos públicos destinados aos municípios.
Entre 2022 e 2024, André Mariano, apontado como personagem central do esquema, realizou transferências para Kalil que somaram cerca de R$ 150 mil, segundo informações do inquérito divulgadas na época. Também houve uma negociação envolvendo um veículo BMW.
A defesa de Kalil negou atuação como lobista e afirmou que os valores recebidos eram referentes a serviços de tecnologia prestados ao setor privado.
Mudança para Portugal
Kalil passou a morar em Portugal durante o período em que avançavam as investigações relacionadas às fraudes no INSS. Segundo informações divulgadas em janeiro deste ano, ele se estabeleceu na região metropolitana de Lisboa.
O movimento ocorreu no mesmo período em que Lulinha se estabeleceu na Espanha. A investigação da PF, porém, não estabelece que a mudança de Kalil para Portugal tenha relação com as apurações.
A defesa afirma que o empresário vive no país europeu há mais de dois anos e trabalha exclusivamente com atividades privadas.
Negócio na Telebras
Na época das conversas recuperadas pela PF, a Telebras era comandada por Frederico de Siqueira, atual ministro das Comunicações.
O conteúdo das mensagens chamou a atenção dos investigadores porque Roberta não apenas relatou a movimentação de Kalil, mas apresentou a negociação como um negócio que utilizaria a influência atribuída a Lulinha para alcançar a presidência da estatal.
A investigação conduzida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi ampliada após a quebra do sigilo telemático de Roberta. A PF abriu frentes específicas para apurar a atuação do grupo em diferentes órgãos e estruturas do governo federal.
No caso da Telebras, os investigadores analisam a articulação para obtenção de contratos e o uso do nome de Lulinha como instrumento de acesso à estatal.
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