O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino foi sorteado como relator do terceiro inquérito solicitado pela Polícia Federal (PF) contra o empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha. A apuração aborda os supostos crimes de corrupção e tráfico de influência no governo, da mesma forma que as outras duas investigações, todas pedidas na semana passada.
A defesa do filho do presidente considera a abertura dos inquéritos como “uso político-eleitoral” da PF e fez, nesta segunda-feira (3), reuniões com o Ministério da Justiça e com o STF para reclamar das ações e ter acesso aos autos. Marco Aurélio de Carvalho disse nesta tarde que ainda não sabe qual é o objeto da investigação.
“A situação saiu do controle; pedi ao ministro (da Justiça, Wellington César Lima e Silva) providências enérgicas. Não tivemos acesso aos autos, falei isso ao ministro, trata-se apenas de provocar desgaste político. Nem eu sei sobre o que são estes inquéritos! O inquérito anterior devia ter sido arquivado”, declarou Carvalho.
Além do ministro da Justiça, o advogado também foi nesta tarde ao Supremo Tribunal Federal (STF) para se “informar” sobre o caso.
Outro advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori, afirmou da mesma forma não ter obtido acesso aos inquéritos. Segundo Suguimori, “é indicativo claro de que devemos nos preocupar com a legalidade na condução das investigações” a publicização “seletiva dos procedimentos”.
“Por ora, asseguro que Fábio Luís seguirá à disposição da Justiça para esclarecer tudo o que for necessário com total tranquilidade”, completou.
Dino tem relação íntima com governo
Além de ter sido, ele próprio, ministro da Justiça do governo Lula, Flávio Dino foi indicado pelo presidente para a vaga que ocupa no STF desde 2023. No exercício de suas funções, chegou a derrubar uma quebra de sigilo pedida pela CPI do INSS.
Mendonça recebeu na quarta-feira e autorizou logo na quinta-feira o pedido do primeiro inquérito. O primeiro tratava da tentativa de favorecer a empresa de Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em uma possível venda de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. O segundo inquérito tratava de licitações na Dataprev.
O STF informou que não há informações oficiais sobre do que trata o pedido do terceiro inquérito, embora tenha confirmado na semana passada a autorização de Mendonça sobre os outros dois.
Segundo fontes próximas às investigações, o pedido da PF tem sido visto como uma forma de tentar desviar da relatoria do ministro André Mendonça, relator do caso Master e da Operação Sem Desconto.