A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHMIR), presidida pelo deputado Reimont (PT-RJ), enviou um ofício ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedindo a abertura de investigação criminal e a prisão preventiva do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
O pedido é motivado pela operação policial nos Complexos do Alemão e da Penha, que deixou mais de 130 mortos, segundo estimativa da Defensoria Pública.

O documento, assinado por parlamentares do PT, Psol e PCdoB, alega que há “fortes indícios” de violações de direitos humanos e de “execuções sumárias” durante a ação, classificada por Reimont como parte de uma “necropolítica” de Estado.
O petista também sugere motivação político-eleitoral por parte do governo fluminense e questiona o uso de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP): “A magnitude dos fatos e o risco de reiteração de novas chacinas exigem resposta imediata das instituições democráticas”.
O pedido de investigação e prisão preventiva agora depende da análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pode arquivar, requisitar informações adicionais ou determinar a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal.
Cláudio Castro defende ação policial
Em coletiva de imprensa também nesta quarta-feira, o governador Cláudio Castro rebateu as críticas e classificou a ofensiva como parte de uma guerra necessária contra o crime organizado, que, segundo ele, “é o maior problema do Brasil”.
“O epicentro desse problema que assola o país é o Rio de Janeiro. Nós não nos furtaremos de fazer a nossa parte”, declarou. “O Estado tem condições de vencer batalhas, mas não vencerá a guerra sozinho.”
Mais cedo, Castro confirmou que 58 corpos haviam sido oficialmente identificados, mas admitiu que o número deve aumentar. O governo também afirmou que os quatro policiais mortos na operação foram as únicas “vítimas” do Estado, responsabilizando a facção Comando Vermelho pelo confronto.
“Sinceramente, esperamos que essa oportunidade não vire um campo de batalha e politicagem”, disse o governador, que proibiu seus secretários de darem declarações públicas que não estejam alinhadas à política de segurança.