O deputado Jorge Taiana, da oposição peronista ao presidente da Argentina, Javier Milei, apresentou nesta segunda-feira (27) uma proposta de declaração de repúdio ao mandatário pelas falas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em post no X, Taiana afirmou que as declarações de Milei “são uma vergonha para nós, argentinos”.
“Suas declarações prejudicam as relações bilaterais e a política externa argentina, pela flagrante interferência nos assuntos internos de outro Estado, em violação aos princípios da não intervenção e da autodeterminação dos povos”, alegou o deputado, que foi ministro das Relações Exteriores e da Defesa em governos peronistas.
“Além disso, rejeitamos a participação de funcionários do Ministério das Relações Exteriores da Argentina em um evento político partidário no exterior, desviando-se de suas obrigações constitucionais”, acrescentou Taiana.
“A afronta e os insultos dirigidos ao governo brasileiro em seu próprio país colocam em risco os laços históricos de fraternidade e cooperação estratégica entre as duas nações”, alegou o parlamentar. Para ser aprovada, a declaração precisa de maioria simples na Câmara dos Deputados argentina.
Durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, realizada no sábado (25) e na qual o aliado Flávio Bolsonaro foi confirmado como candidato à presidência, Milei chamou Moraes de “lixo careca” e o criticou por não ter permitido que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O mandatário argentino também chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e o acusou de “espalhar o socialismo” pela América Latina.
Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas e chamou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para pedir explicações sobre a fala de Milei. O libertário deu sua “tréplica”, ao afirmar em entrevista que Lula teria financiado uma campanha “anti-Argentina”.