O governo dos Estados Unidos decidiu não renovar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, o que a impede de representar o Brasil em Washington. O ato, comunicado nesta terça-feira (4), agrava uma crise diplomática sem precedentes entre as duas nações. O impasse é motivado pela recusa do governo Lula em aprovar o novo embaixador americano e pela negativa de vistos a diplomatas de Donald Trump.
Qual foi o motivo exato para a retaliação americana?
O Departamento de Estado dos EUA agiu em resposta à demora do presidente Lula em conceder o ‘agrément’ — que é o sinal verde diplomático — para o indicado de Donald Trump, o deputado Daniel Perez. Além disso, o Brasil negou vistos para diplomatas americanos que planejavam visitar o país em julho. Washington vê essas atitudes como falta de cortesia e má vontade política, decidindo então limitar a atuação da embaixadora brasileira em solo americano.
O que o governo brasileiro diz sobre as acusações?
O Palácio do Planalto nega irregularidades e afirma que as justificativas dos EUA são falsas. Segundo o governo brasileiro, o processo de aprovação de embaixadores deve ser sigiloso e não deveria ter sido exposto. Sobre os vistos negados aos americanos, Brasília alega que esses funcionários tinham a intenção de interferir no processo eleitoral brasileiro, colocando em dúvida a integridade das urnas eletrônicas e do Judiciário.
Como essa crise afeta as relações entre Brasil e EUA?
Especialistas apontam que a relação está no ponto mais baixo desde 2025. O governo Trump desconfia da proximidade de Lula com a China e de propostas para diminuir o uso do dólar. Por outro lado, o Brasil resgatou um discurso contra o que chama de ‘postura imperialista’ americana. O isolamento funcional da embaixada em Washington enfraquece o diálogo em temas urgentes, como economia, defesa e tecnologia.
O que pode acontecer até as eleições de outubro?
A tendência é que o impasse dure pelo menos até o resultado das urnas. Se houver alternância de poder no Brasil, a relação pode ser reestabelecida rapidamente com novos nomes. Caso o governo atual permaneça, o cenário é de incerteza, com riscos de novas sanções econômicas ou cancelamento de vistos de outras autoridades brasileiras. Analistas alertam que a falta de pragmatismo está gerando cicatrizes permanentes na confiança mútua.