Os Correios enviaram, na segunda-feira 12, um ofício ao Ministério da Fazenda para pedir que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) reabra uma investigação contra a empresa de logística J&T Express Brasil, acusada de dumping.
Subsidiária de uma companhia da Indonésia, a J&T foi alvo de representação da Associação Brasileira de Empresas de Distribuição, que foi arquivada pelo Cade. No documento encaminhado à Secretaria de Acompanhamento Econômico, os Correios pedem que a decisão seja reconsiderada.
De acordo com o ofício, a representação incluiu relatos de “empresas de pequeno porte que foram excluídas unilateralmente do mercado devido a condutas supostamente fraudulentas da J&T”. A apuração é do jornal Folha de S.Paulo.
Os Correios alegam que a empresa adota uma política de preços com margens negativas superiores a 40%, o que tornaria sua operação inviável em condições normais de concorrência.
A solicitação da estatal inclui um pedido para que a secretaria elabore uma nova representação ao Cade, com recomendação de abertura imediata de processo administrativo contra a J&T e outras empresas que adotem estratégias semelhantes. “A atuação é essencial para conter práticas predatórias e sinalizar ao mercado que ações semelhantes não serão toleradas”, diz o texto.
Transportadora comenta ofício dos Correios
Em nota, a J&T Express Brasil informou que ainda não teve acesso ao ofício, mas afirma que suas operações seguem a legislação brasileira e os princípios da livre concorrência. “Ressaltamos que denúncias semelhantes, apresentadas anteriormente pela própria Abraed, já foram analisadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e arquivadas por ausência de indícios de prática anticoncorrencial.”
A companhia também destacou ter compromisso com a transparência, a ética e o desenvolvimento do setor logístico no país e disse continuar à disposição das autoridades para prestar os devidos esclarecimentos.