A vitória da Noruega sobre o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo ganhou os holofotes internacionais nos últimos dias e acabou despertando a atenção fora de campo para o fato do país escandinavo possuir o maior fundo soberano do mundo.
O atual sucesso do Government Pension Fund Global (GPFG) só foi possível graças à descoberta, ainda na década de 1960, de reservas significativas de petróleo e gás no Mar do Norte, que transformou o país no maior cofre do planeta, com um montante de aproximadamente US$ 2,2 trilhões (quase quatro vezes mais do que a economia norueguesa produz dentro de um ano).
Décadas depois da descoberta, o fundo foi lançado com o objetivo de angariar investimentos para o Estado e evitar depender de estabilidade política e econômica. De início, a poupança pública foi reforçada com recursos provenientes de impostos sobre petróleo, taxas de licenciamento e lucros da empresa estatal de energia. Hoje, mais da metade de todo o fundo já não é focado no petróleo, mas resultado de seus investimentos do passado.
Ele cresceu exponencialmente baseado em títulos, tornando-se o maior do seu tipo, e resultou na aquisição de pequenas participações acionárias em milhares de empresas em todo o mundo, incluindo dezenas de brasileiras. O país escandinavo possui, em média, o equivalente a 1,5% de todas as empresas listadas em bolsas, tornando-se o maior detentor individual de ações negociadas do mundo.
De acordo com a administradora Norges Bank Investment Management, o portfólio do fundo possui participações acionárias em cerca de 7.200 a 9.000 empresas espalhadas por mais de 60 países, gerando muito mais renda para os 5,6 milhões de habitantes noruegueses do que a produção de petróleo e gás – se o montante fosse repartido à população, hoje, cada cidadão receberia cerca de US$ 375 mil (quase R$ 2 milhões).
Graças a esse planejamento, a Noruega também se tornou a maior produtora de combustíveis fósseis da Europa Ocidental e a principal exportadora de petróleo e gás natural de todo o continente – cerca de 30% das importações de gás natural e 15% do petróleo da União Europeia vem de lá.
Como o petróleo contribui com o desenvolvimento humano e econômico da Noruega
O fundo soberano norueguês é responsável, em parte, pelo apoio ao sistema de bem-estar social do país escandinavo, dedicando recursos à educação e saúde, por exemplo.
A Noruega ocupa atualmente o segundo lugar no Índice de Desenvolvimento Humano global da ONU, atrás somente da Islândia e da Suíça.
O fundo possui, ainda, um papel fundamental como uma reserva financeira, diante de flutuações de preços do petróleo global, mantendo a estabilidade fiscal da Noruega.