O partido Chega, de direita, conquistou prefeituras em Portugal pela primeira vez nas eleições municipais, neste domingo, 12. A sigla, criada em 2019 e conhecida por sua postura contra a imigração ilegal, vai governar Albufeira, São Vicente e Entroncamento.
Em São Vicente, José Carlos Gonçalves foi eleito prefeito com quase 50% dos votos, segundo o Ministério da Administração Interna. Já em Entroncamento, Nelson Cunha alcançou mais de 37% dos votos. Em Albufeira, cidade turística de Faro com grande presença de estrangeiros, Rui Cristina será o novo prefeito.
Apesar das vitórias inéditas, o partido não atingiu o objetivo de vencer em pelo menos 30 municípios. Também não teve sucesso ao tentar conquistar prefeituras de maior destaque político. A deputada Rita Matias, candidata em Sintra, Região Metropolitana de Lisboa, terminou em terceiro, atrás do PSD (Partido Social Democrata) e do PS (Partido Socialista).
O líder do partido, André Ventura, avaliou a noite eleitoral como positiva. Ele destacou que o Chega se tornou “um partido de resposta autárquica na liderança de Câmaras Municipais” e que mais que quadruplicou o desempenho registrado em 2021. Ventura reconheceu que o partido não atingiu todos os objetivos e afirmou que continuará trabalhando para ampliar sua presença em municípios portugueses.
Chega: trajetória e crescimento acelerado
O Chega foi fundado em 2019 e rapidamente se tornou uma força relevante na política portuguesa. Em apenas seis anos, o partido passou de representação quase simbólica para consolidar-se como a terceira maior bancada no Parlamento nacional, acirrando a disputa com o PS e o PSD.
André Ventura, ex-integrante do PSD, criou o partido motivado pelo descontentamento com os partidos tradicionais. Nas primeiras eleições legislativas, em 2019, o Chega elegeu apenas um deputado, com pouco mais de 1% dos votos. Em 2022, a sigla ampliou sua presença, conquistando 12 parlamentares.
O crescimento mais expressivo veio em 2024, quando elegeu 50 deputados. Nas eleições legislativas, também realizadas neste ano, o Chega atingiu cerca de 23% dos votos. O partido empatou em número de parlamentares com o PS, ficando atrás apenas da coligação de centro-direita Aliança Democrática (AD).
A insatisfação dos eleitores com o sistema político tradicional é o que impulsiona o avanço do Chega. O partido se apresenta como conservador nos costumes, liberal na economia e defensor de valores nacionais. Entre suas bandeiras estão o combate à corrupção, a redução do papel do Estado, maior segurança e endurecimento das políticas migratórias.
Durante a campanha, Ventura destacou a Lei Manu, que prevê deportação de estrangeiros depois do cumprimento de pena por crimes cometidos em Portugal. O partido também defendeu um “pacote anticorrupção”, revisão do Sistema Nacional de Saúde, cortes de cargos políticos, redução de impostos e aumento do salário mínimo para € 1 mil até 2026.