Teresina - Piauí segunda-feira, 17 de agosto 31°C
Destaque / Economia

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial

O Grupo Casas Bahia anunciou na noite de ontem (06) que entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida abrange a companhia e outras empresas do grupo e busca reorganizar as finanças e renegociar dívidas, mantendo as operações em funcionamento.

O pedido ocorre após a divulgação de um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre maio e junho. O resultado representa uma perda 18 vezes maior que a registrada no mesmo período de 2025, quando o prejuízo foi de cerca de R$ 555 milhões.

A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia atribuiu a deterioração das condições econômico-financeiras a fatores como juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro, pressão sobre o consumo e o capital de giro. A empresa também informou que não conseguiu concluir alternativas de liquidez que estavam em negociação.

A Casas Bahia afirmou ao mercado que a recuperação judicial é necessária para avançar na reestruturação financeira, preservar as atividades e buscar uma solução para suas obrigações. “Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, afirma o comunicado.

O pedido inclui a ASAP Log – Logística e Soluções; ASAP Log; CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística; Cntlog Express Logística e Transporte; Globex Administração e Serviços; Cnova Comércio Eletrônico; Integra Soluções para Varejo Digital; Casas Bahia Tecnologia; e Indústria de Móveis Bartira.

O conselho também aprovou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para analisar a ratificação do pedido, adotado “em caráter de urgência”. A proposta será divulgada posteriormente pela empresa.

Apesar da recuperação judicial, a companhia informou que pretende manter lojas físicas, comércio eletrônico e os demais canais de venda em funcionamento, com prioridade para o atendimento aos consumidores.

A varejista também passa por um processo de redução da operação. Até o fim de junho, 298 lojas haviam sido fechadas. Segundo a empresa, a decisão considerou o desempenho operacional, a necessidade de capital e o retorno econômico de cada unidade.

O quadro de funcionários também foi reduzido. A companhia encerrou junho com 30.117 colaboradores, 1.622 a menos do que no início do ano passado. Na última sexta (14), cerca de dois mil funcionários teriam sido demitidos. Relatos sobre os desligamentos se multiplicaram nas redes sociais, incluindo casos de profissionais com décadas de trabalho na empresa.

Fonte

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.