Novos detalhes da investigação sobre a queda do voo da Air India, ocorrida em 12 de junho, apontam para a atuação do piloto mais experiente da cabine. De acordo com o The Wall Street Journal, fontes ligadas à análise preliminar feita por autoridades norte-americanas afirmam que foi o capitão quem desligou os interruptores de combustível da aeronave.
Ainda segundo o jornal, a gravação da caixa-preta mostra o primeiro oficial questionando por que o comandante teria mudado os interruptores para a posição de corte logo depois da decolagem. De acordo com as mesmas fontes, o copiloto demonstrou surpresa e entrou em pânico, enquanto o capitão manteve a calma.
O relatório preliminar divulgado na semana passada pelo Escritório de Investigação de Acidentes Aeronáuticos da Índia (AAIB) menciona a troca entre os dois pilotos, mas sem identificar quem disse o quê. O documento relata que um questionou a ação, e o outro negou tê-la realizado.
A aeronave caiu próximo ao aeroporto da cidade indiana de Ahmedabad. Das 242 pessoa a bordo, apenas um homem sobreviveu.
Suspeitas de ato deliberado do capitão da Air India
O conteúdo do relatório sugere que o capitão, Sumeet Sabharwal, tenha desligado os interruptores. Ainda não está claro se o ato foi acidental ou intencional. Os dois comandos foram acionados com um segundo de diferença e, dez segundos depois, religados.
O relatório indiano não conclui o motivo do desligamento e também não descarta falhas técnicas, problemas de manutenção ou de projeto. A investigação conta com especialistas em medicina e psicologia da aviação.
O CEO da Air India, Campbell Wilson, pediu aos funcionários que evitem especulações, destacando que a apuração “ainda está longe de terminar”. A companhia afirmou que continua cooperando com as autoridades.
Depois da divulgação das informações, o AAIB reforçou que “é cedo para qualquer conclusão definitiva” e pediu que público e imprensa evitem narrativas prematuras, que podem comprometer o andamento da investigação.
Nas redes sociais, internautas compartilham vídeos que mostram como supostamente são os interruptores de combustível das aeronaves da Air India. De acordo com as imagens, seria quase impossível o desligamento acidental. Veja:
Investigações de acidentes com possível envolvimento humano deliberado podem nunca ser totalmente resolvidas. Divergências entre países envolvidos também são comuns, e novas informações podem contradizer relatórios iniciais. Esses processos geralmente duram mais de um ano.
Segundo o ex-investigador Ben Berman, que atuou no caso do voo EgyptAir 990, o desligamento sucessivo dos interruptores sugere uma ação intencional. Ele afirmou que, antes do corte de combustível, não havia qualquer anormalidade na decolagem que justificasse medidas de emergência.
Quem eram os pilotos
De acordo com amigos, Sumeet Sabharwal, de 56 anos, era uma pessoa reservada. Ele cuidava do pai doente e nutria muito amor pela aviação. Formado na Indira Gandhi Rashtriya Uran Akademi nos anos 1990, ganhou o apelido de “Sad Sack” pela expressão séria. Mantinha um estilo de vida simples e gostava de ensinar colegas mais jovens.

Já o copiloto Clive Kunder, de 32 anos, alimentava o sonho de voar desde a infância, inspirado pela mãe, comissária de bordo por três décadas. Estudou aviação na Flórida aos 19 anos, obteve licença de piloto comercial nos EUA e foi contratado pela Air India em 2017. Em 2022, Kunder passou a operar o Boeing 787. Ele era fã de filmes de super-heróis, tecnologia e videogames.

O conteúdo dos gravadores de voz da cabine é tratado com sigilo pelas autoridades indianas e considerado peça-chave na reconstituição dos momentos finais do voo. Jennifer Homendy, presidente do Conselho Nacional de Segurança no Transporte dos EUA, solicitou acesso direto à gravação.