A jornalista e candidata ao governo do departamento de Áncash, no Peru, Susy Aponte, de 44 anos, foi assassinada a tiros neste sábado enquanto participava de um ato de campanha em um mercado no distrito de Caraz. O ataque também deixou cinco pessoas feridas, segundo a polícia. Um cidadão venezuelano foi detido.
Conhecida como “La China Polo”, Susy disputava as eleições regionais previstas para 4 de outubro pelo partido Socios por Áncash. Ela mantinha o portal de notícias “China Polo Dominical”, no qual publicava denúncias sobre supostas irregularidades e casos de corrupção envolvendo a polícia.
O ataque ocorreu por volta das 12h40, na Avenida Ramón Castilla, nas proximidades do mercado local. A candidata percorria o local acompanhada de apoiadores quando um homem armado se aproximou e efetuou vários disparos.
Susy foi atingida e não resistiu aos ferimentos. As outras cinco vítimas foram encaminhadas ao Hospital San Juan de Dios, em Caraz, onde receberam atendimento médico.
O suspeito deixou o local após os disparos. Durante as diligências, a polícia prendeu um homem identificado como Luis Obispo Díaz, de 32 anos, de nacionalidade venezuelana. Uma pistola foi encontrada com ele durante a abordagem. As autoridades ainda não informaram qual teria sido a participação do detido no crime.
Dias antes do assassinato, Susy havia relatado nas redes sociais que recebera ameaças que, segundo ela, partiam de prisões. Até o momento, a polícia não informou se existe relação entre as ameaças e o homicídio.
O Júri Nacional de Eleições do Peru condenou o assassinato e pediu rapidez na investigação. “A violência não tem lugar em uma sociedade democrática”, afirmou o órgão em comunicado.
O Conselho da Imprensa Peruana também cobrou esclarecimentos sobre a morte da jornalista. “É necessário esclarecer as motivações do homicídio. Outros casos de assassinatos não foram esclarecidos”, afirmou a entidade.
O caso ocorre em um cenário de violência contra profissionais de imprensa no país. Segundo a polícia, quatro jornalistas peruanos foram assassinados em 2025. O Conselho da Imprensa Peruana citou os casos anteriores ao cobrar uma investigação sobre a morte de Aponte.
A jornalista também havia se destacado por reportagens sobre supostas irregularidades na polícia, no Ministério Público e na administração local. A investigação deverá esclarecer a motivação do ataque e verificar se as ameaças relatadas anteriormente têm alguma relação com o assassinato.