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Calor extremo marca celebrações dos 250 anos da Independência dos EUA

Calor extremo marca celebrações dos 250 anos da Independência dos EUA

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A onda de calor intenso que atingiu o Nordeste e a região do Meio-Atlântico dos Estados Unidos não impediu as celebrações do 250º aniversário da Independência americana neste sábado (4). As informações são da EFE.

Na capital americana, embora o tradicional Desfile Nacional de 4 de Julho tenha sido cancelado por causa dos alertas meteorológicos, milhares de pessoas enfrentaram temperaturas próximas de 38°C para participar das celebrações na Esplanada Nacional (National Mall), principal palco da programação, encerrada à noite com um discurso do presidente Donald Trump no Memorial Lincoln.

O National Mall recebeu a Grande Feira Estadual Americana, apresentações culturais e o tradicional espetáculo de fogos de artifício. Para amenizar os efeitos do calor, os organizadores instalaram ventiladores, pontos de hidratação e áreas de apoio ao público ao longo da Esplanada.

O acesso ao local ocorreu sob um rígido esquema de segurança. Vestidos de vermelho, branco e azul e carregando bandeiras americanas, os visitantes passaram por revistas e enfrentaram filas para entrar no perímetro das festividades, que chegou a ser aberto horas depois do previsto.

Muitos buscaram abrigo na sombra ou permaneceram próximos aos pontos de distribuição de água. A FIFA também montou uma Fan Zone em um dos parques da região, atraindo parte do público.

A programação na capital integrou a iniciativa America250, criada para coordenar as comemorações do aniversário da independência em todo o país. Além de shows e exposições, o evento reuniu sobrevoos de aeronaves militares, apresentações das Forças Armadas e um dos maiores espetáculos de fogos de artifício já organizados em Washington, atraindo visitantes de diferentes estados.

No início da noite, uma tempestade obrigou a evacuação temporária do National Mall e interrompeu a programação. Os organizadores orientaram o público a buscar abrigo em museus, prédios públicos e estações de metrô, enquanto o Serviço Secreto fechou provisoriamente os pontos de acesso ao evento. A cerimônia foi retomada após a melhora das condições climáticas.

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Trump assume protagonismo da festa de independência dos EUA

Nas redes sociais, Trump comemorou a presença do público apesar das condições climáticas.

“Apesar do calor, que não está tão intenso quanto se previa, a multidão em Washington é incrível. O amor pelo nosso país nunca foi tão forte”, escreveu o presidente na Truth Social.

Na mesma publicação, Trump elogiou os pilotos das aeronaves militares que sobrevoaram a capital desde o início da tarde e confirmou que faria seu pronunciamento por volta das 22h (23h00 no Brasil), diante do Memorial Lincoln. Também prometeu restaurar o Espelho d’Água (Reflecting Pool), que, segundo ele, sofreu danos provocados por atos de vandalismo.

“Vamos esvaziar a água e reparar rapidamente os danos logo após este grande fim de semana”, afirmou.

Pouco antes do discurso, o republicano voltou a desejar um “Feliz Dia da Independência” aos americanos e publicou nova mensagem afirmando que os Estados Unidos estão “mais fortes do que nunca”, repetindo o tom adotado na noite anterior durante um evento no Monte Rushmore.

Na ocasião, Trump exaltou a história do país, defendeu os valores fundadores da nação e voltou a associar seu governo ao fortalecimento do patriotismo americano.

Visitantes desafiaram o calor

Entre os participantes das festividades em Washington, muitos viajaram de diferentes partes do país especialmente para acompanhar o aniversário histórico.

Ross e o marido, Steve, decidiram embarcar da Califórnia depois de assistirem pela televisão aos preparativos para a celebração na capital americana. O que não esperavam era enfrentar temperaturas próximas de 100 graus Fahrenheit (cerca de 38°C).

“Estou surpreso com esse calor”, afirmou Steve à EFE.

Mesmo assim, o casal disse que fazia questão de participar da data para celebrar um país “que não é apenas forte, mas que ajuda outras pessoas”. O plano incluía acompanhar os fogos de artifício e assistir ao discurso de Trump.

Outro visitante, Rohan, natural da Etiópia e morador do estado vizinho de Maryland, levou os filhos até a Grande Feira Estadual Americana, embora tenha desistido de entrar por causa das longas filas.

À EFE, ele afirmou considerar os Estados Unidos um país aberto a pessoas de diferentes origens, desde que “sigam as regras”. Segundo Rohan, a própria formação histórica do país favorece essa integração.

“Ao contrário da Europa, onde vivi durante alguns anos, aqui é mais fácil para um africano se integrar”, afirmou. Como exemplo, lembrou que a mãe de Trump nasceu na Escócia, ressaltando a tradição imigrante da sociedade americana.

Calor muda programação na Costa Leste

Em Filadélfia, onde a Declaração de Independência foi assinada em 1776, autoridades suspenderam o desfile cívico previsto para o feriado, mas mantiveram outros eventos ao longo do dia – shows, apresentações culturais e a tradicional queima de fogos.

Em Nova York, as comemorações também seguiram com adaptações por causa do calor. A cidade celebrou os 50 anos do tradicional espetáculo de fogos promovido pela rede Macy’s, um dos maiores dos Estados Unidos, além da parada marítima Sail4th 250, que reuniu embarcações históricas e navios militares no porto nova-iorquino.

Equipes de emergência foram reforçadas, e autoridades ampliaram a distribuição de água e os pontos de atendimento ao público diante das altas temperaturas.

Em Boston, berço da Revolução Americana, a programação também foi mantida, com concertos, cerimônias cívicas e apresentações históricas que relembraram os acontecimentos que antecederam a independência.

Patriotismo e protestos

As comemorações, que incluíram cerimônias de naturalização de novos cidadãos, homenagens a veteranos de guerra e eventos organizados por governos estaduais e administrações locais, também foram palco de protestos.

Críticos acusaram Trump de transformar as comemorações nacionais em um evento de caráter político. Desde que retornou à Casa Branca, o presidente ampliou sua participação na organização das festividades do semiquincentenário da independência, fazendo do aniversário uma das principais vitrines de seu governo.

Na Avenida Pensilvânia, manifestantes participaram de uma marcha em defesa da Constituição americana. Um dos participantes, Eric, que viajou do Colorado, afirmou à EFE que o objetivo era “celebrar o país, e não a atual administração”.

Enquanto segurava, ao lado de dezenas de pessoas, uma longa reprodução da Constituição dos Estados Unidos estendida na praça da Marinha, o manifestante criticou políticas adotadas pelo governo Trump e disse protestar contra medidas que, segundo ele, alteram princípios fundamentais do país.

Segundo a EFE, a presença simultânea de apoiadores e opositores do presidente refletiu a polarização política que continua marcando a sociedade americana.

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