O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), afirmou que o governo brasileiro falhou no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), organizações que foram classificadas por Washington como terroristas estrangeiras neste ano. A crítica consta de uma determinação presidencial encaminhada ao Congresso americano em 15 de setembro e divulgada nesta quarta-feira (16).
Segundo o documento, as duas facções teriam contribuído para transformar o Brasil em um “centro de distribuição global de cocaína”. Trump afirmou ainda que os grupos representam uma ameaça que ultrapassa as fronteiras brasileiras e cobrou medidas mais duras do governo do país.
“Enquanto muitos governos do Hemisfério Ocidental tomam medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis, o Governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína”, diz o texto.
Em seguida, a determinação afirma que as organizações representam uma ameaça à segurança internacional e que o governo brasileiro deveria agir para impedir a expansão das facções.
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas enérgicas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, afirma Trump.
Brasil fica fora da lista formal dos principais países de trânsito
Apesar da crítica, o Brasil não foi incluído na relação de países classificados pelos Estados Unidos como principais locais de trânsito ou produtores de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027.
A lista elaborada pelo governo americano reúne 23 países: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
O próprio documento ressalva que a inclusão de um país nessa relação não significa, necessariamente, que seu governo não esteja adotando medidas de combate ao tráfico. Segundo a legislação americana, a classificação considera fatores geográficos, comerciais e econômicos que favorecem o trânsito ou a produção de drogas e de substâncias utilizadas na fabricação de entorpecentes.
Trump apontou falhas substanciais no cumprimento de compromissos internacionais de combate ao narcotráfico por parte de Afeganistão, Bolívia, Birmânia e Colômbia nos 12 meses anteriores. Para Bolívia, Birmânia e Colômbia, o presidente americano afirmou que a continuidade da assistência dos Estados Unidos é considerada vital aos interesses nacionais do país.
PCC e CV foram classificados como terroristas pelos EUA
A crítica ao Brasil ocorre meses depois de Washington incluir o PCC e o Comando Vermelho entre as organizações consideradas terroristas pelo governo americano.
A classificação passou a produzir efeitos em junho deste ano, inicialmente na categoria de Terroristas Globais Especialmente Designados e posteriormente também na classificação de Organizações Terroristas Estrangeiras.
Na determinação, Trump relacionou a atuação das facções brasileiras ao tráfico internacional de cocaína e afirmou que os grupos devem ser enfrentados antes que ampliem sua presença.
A avaliação sobre o Brasil aparece em um documento mais amplo no qual a Casa Branca descreve a política americana de combate ao narcotráfico e elogia governos que, segundo Trump, ampliaram a cooperação com Washington.
O presidente americano também destacou mudanças recentes na política antidrogas de países da América do Sul. Entre os governos elogiados estão Argentina, Equador e El Salvador. A Venezuela, por sua vez, deixou de ser considerada por Washington como país que demonstrou falha no cumprimento de compromissos de controle de drogas, segundo a determinação.