O reajuste previsto para o Bolsa Família deve obrigar o governo a remanejar cerca de R$ 22,7 bilhões em despesas do Orçamento de 2027 para manter o cumprimento das regras fiscais.
O impacto não foi incluído no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado ao Congresso Nacional em agosto. A proposta foi encaminhada sem previsão de reajuste do benefício.
Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), a ampliação do programa será acomodada por meio do remanejamento de outras despesas. Parte dos recursos deverá vir de uma redução na projeção de gastos da Previdência.
O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, uma alta de 15,04%. A mudança ocorre em meio a um cenário de despesas obrigatórias elevadas e restrições para a expansão dos gastos públicos.
Na prática, o governo terá de encontrar espaço dentro do Orçamento para absorver o aumento. O espaço discricionário, que inclui investimentos e despesas de custeio, já é limitado.
Os novos valores previstos para o programa são:
- Renda de Cidadania: R$ 164 por integrante;
- Benefício Complementar: até R$ 691 para famílias cuja renda total fique abaixo desse valor;
- Primeira Infância: R$ 173 por criança com até sete anos incompletos;
- Benefício Variável Familiar: R$ 58 por integrante que se enquadre nas regras do programa.