O bispo auxiliar de Caracas, Carlos Márquez, apresentou uma reflexão profunda sobre o mistério da dor após os terremotos de 24 de junho que vitimaram mais de 4.800 pessoas na Venezuela, destacando que a tragédia natural não é uma punição divina, mas parte dos processos da própria natureza.
Por que desastres naturais como terremotos acontecem?
Eventos como terremotos são processos naturais e biológicos da Terra, e não castigos de Deus. Embora antigamente fossem vistos como maldições, hoje compreendemos que a natureza se reajusta e evolui. O sofrimento humano nessas situações é potencializado por falhas nossas, como construções em locais inadequados ou sem padrões de segurança, onde a imprudência acaba transformando um fenômeno natural em uma catástrofe com perdas humanas.
Qual é o papel da liberdade humana nessas tragédias?
A liberdade humana é um fator central. Quando edifícios desabam porque foram erguidos em solos instáveis ou com materiais precários, o sofrimento resultante é fruto de escolhas ou omissões humanas. Deus não deseja ou ordena essas tragédias; elas ocorrem porque estamos sujeitos às leis da física e da natureza, e nossas decisões de onde e como viver podem nos expor a riscos maiores.
Como a fé ajuda a lidar com a dor da perda e do isolamento?
A promessa cristã não é a ausência de dor, mas a garantia de que ninguém sofrerá sozinho. A companhia de Deus se manifesta através da comunidade, da intercessão dos santos e da solidariedade entre as pessoas. O isolamento torna a tragédia pior, por isso a importância do apoio mútuo para transformar o coração e dar forças para seguir em frente, mesmo quando o presente parece incerto.
O que a tradição religiosa diz sobre o futuro da criação?
Utilizando referências bíblicas, explica-se que a criação está em um processo de evolução, como se estivesse em ‘dores de parto’, caminhando para uma plenitude futura. Isso significa que, enquanto estivermos neste mundo, passaremos por dificuldades e transformações da natureza. No entanto, a perspectiva é de que a morte e a dor não têm a palavra final, sendo apenas passagens no caminho para uma vida eterna de alegria.
O que se espera dos sobreviventes após um evento tão devastador?
A orientação é enfrentar a adversidade sem paralisar na pergunta ‘por quê’, focando em ‘como’ reconstruir o futuro. É o momento de usar as habilidades pessoais com criatividade e generosidade, características marcantes do povo venezuelano. A determinação em honrar os que partiram e transformar a tragédia em um propósito de vida é o que permite a uma nação se levantar novamente das cinzas e do pó.
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