As estatais federais registraram déficit de R$ 476 milhões em julho de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC) na manhã desta segunda-feira (31), no Boletim de Estatísticas Fiscais. No acumulado do ano, o rombo chegou a R$ 8,3 bilhões.
O resultado negativo das estatais federais faz parte de um déficit conjunto de R$ 1,1 bilhão das empresas públicas em julho. As federais responderam por R$ 476 milhões em déficit, enquanto as estaduais registraram déficit de R$ 653 milhões. As municipais, por outro lado, tiveram superávit de R$ 18 milhões.
Nas estatais federais, a maior pressão sobre as contas ocorreu nos primeiros meses de 2026. Em janeiro, o déficit chegou a R$ 3,33 bilhões, o pior resultado mensal do ano até agora. Em fevereiro, foram R$ -829 milhões; em março, R$ -249 milhões; em abril, R$ -1,53 bilhão; em maio, R$ -27 milhões; em junho, R$ -1,84 bilhão; e, em julho, R$ – 476 milhões.
O cálculo do BC não inclui grandes estatais como Petrobras e Eletrobras. O indicador, portanto, concentra empresas federais dependentes do Tesouro ou com maior fragilidade financeira.
Um dos principais focos de pressão está nos Correios. A estatal informou que encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Para enfrentar a deterioração financeira, a empresa contratou no ano passado um empréstimo de R$ 12 bilhões com um pool de bancos, com garantia da União. A liberação do crédito foi condicionada ao cumprimento de um plano de reestruturação dos Correios.
Agora, os ministérios do Planejamento e Orçamento (MPO), da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e das Comunicações informaram, em nota divulgada neste domingo (30/8), que o governo prevê um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios em 2027. O valor deverá constar no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que será encaminhado ao Congresso nesta segunda-feira.
“Com isso, a estatal terá maior estabilidade para seguir negociando com seus clientes e fornecedores, em direção ao bom andamento do seu Plano de Reestruturação e à recuperação dos resultados financeiros positivos da empresa”, alegam os ministérios na nota.