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BC avalia conectar Pix a sistemas de pagamentos de outros países

O Banco Central (BC) avalia conectar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. É o que aponta o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado nesta segunda-feira (09) pela autarquia. A eventual integração permitiria que brasileiros fizessem remessas e pagassem compras no exterior com conversão para a moeda local em poucos segundos.

O BC analisa tanto acordos bilaterais com outros países quanto a participação do Brasil em plataformas que integrem diferentes sistemas nacionais de pagamentos.

Segundo a autarquia, as alternativas podem reduzir tarifas, acelerar transferências, ampliar o acesso e aumentar a transparência das operações internacionais.

Atualmente, o Pix administrado pelo BC funciona apenas no Brasil. Embora alguns estabelecimentos no exterior já aceitem a modalidade, essas operações dependem de acordos entre empresas privadas brasileiras e instituições financeiras ou empresas de pagamentos estrangeiras.

Na prática, o pagamento não é processado pela infraestrutura do Pix até o exterior. O brasileiro transfere reais para uma instituição no país, que depois realiza a remessa pelos canais tradicionais de câmbio. O comerciante recebe o valor na moeda local.

O modelo já foi implementado em países como Chile, Argentina, Estados Unidos, Portugal e França. A disponibilidade depende das parcerias firmadas e pode variar conforme o país, estados ou cidades e os estabelecimentos credenciados.

Para o consumidor, a operação pode se parecer com um Pix convencional. Em estabelecimentos habilitados, o cliente escaneia um QR Code e autoriza o pagamento pelo aplicativo de uma instituição brasileira. A conversão e a remessa internacional, porém, são realizadas posteriormente pela instituição.

O fluxo também pode ocorrer no sentido inverso. Um estrangeiro pode escanear um QR Code de um estabelecimento brasileiro usando o aplicativo de uma instituição de seu país. Uma instituição parceira no Brasil faz o Pix em reais, enquanto a instituição estrangeira desconta o valor da conta do cliente em sua moeda. A compensação entre as empresas ocorre fora do Pix.

Como essas operações envolvem câmbio, podem incidir Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tarifas e spread cambial, que é a diferença entre a cotação de referência e a taxa aplicada pela instituição.

A mudança em estudo pelo BC eliminaria essa etapa intermediária. A ideia é conectar diretamente a infraestrutura brasileira aos sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições.

A autarquia não informou quais países negociam eventuais conexões nem estabeleceu prazo para a implementação. Também está em análise a adesão a “hubs multilaterais”, plataformas que conectam sistemas de pagamentos de diferentes países.

Se implementada, a integração poderá permitir que pagamentos e remessas internacionais sejam liquidados em moeda local em poucos segundos, com potencial de reduzir custos e dar maior transparência ao câmbio, às tarifas e ao fluxo dos recursos.

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