Ex-presidente do Banco Central (de 1999 a 2003), o economista Armínio Fraga acredita que o Brasil reúne os sinais que antecedem uma recessão econômica. A culpa, para ele, seria do terceiro governo Lula, que “chutou o pau da barraca logo de cara”. As avaliações foram publicadas na seção Páginas Amarelas, da revista Veja desta semana.
A inadimplência das famílias, somada à dificuldade de empresas e do governo de esticar dívidas, seriam os sinais” que antecedem períodos ainda mais difíceis. O próprio governo indicaria as dificuldades com os juros altos quando emite títulos de dívida com prazo mais curto.
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“Muitas empresas que se endividaram utilizaram instrumentos de securitização e hoje têm dificuldades de rolar suas dívidas. O próprio governo está encurtando o perfil de sua dívida, o que é um sinal claríssimo de que a situação está difícil. Eu entendo que o governo não queira emitir papel de trinta anos pagando inflação mais 8% ao ano, mas, por outro lado, assim ele aumenta o risco de sua própria rolagem”, disse.
Armínio Fraga considera Lula como favorito nas eleições do próximo mês de outubro, e questiona o preço poderá ser pago pela eventual reeleição. Ele comparou o gasto em “pacotes de bondades” ao que foi feito na época de Dilma Rousseff, quando a iminente crise fiscal foi escondida e os gastos públicos foram turbinados no último ano de governo para garantir a reeleição.
“Sei que é difícil para o presidente aceitar, mas há uma certa semelhança com o governo de Dilma Rousseff, quando foi feito um grande esforço para vencer a eleição, estourando as contas de uma maneira espetacular. Não tem como tapar o sol com a peneira”, disse.
Dizendo-se um “órfão” da escola do PSDB clássico, ele ainda criticou a insistência do governo em dizer que aplica uma política econômica austera, ao mesmo tempo em que desrespeita as próprias regras criadas pelo arcabouço fiscal.
“Há quem diga que o Brasil já tem austeridade fiscal demais, mas que austeridade é essa que fez o gasto público sair de um quarto do PIB para um terço nos últimos quarenta anos? Não houve austeridade nenhuma”, declarou.
A Gazeta do Povo abriu espaço para o governo comentar, enviando um e-mail e procurando, por mensagem de texto, uma assessora da pré-campanha de Lula. O espaço segue aberto para eventuais comentários.