Depois da operação policial no Rio de Janeiro contra a facção criminosa Comando Vermelho, na última terça-feira, 28, o governo de Javier Milei determinou estado de alerta máximo nas fronteiras da Argentina, especialmente com o Brasil. A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, informou que a ação visa impedir a entrada de membros de facções criminosas brasileiras no território argentino.
Em ofício divulgado nas redes sociais, Bullrich requisita às Forças Federais de Segurança a intensificação da atuação nas zonas de fronteira, considerando os eventos “ocorridos na terça-feira 28 de outubro do corrente ano, na cidade do Rio de Janeiro, República Federativa do Brasil”.
A jornalistas, na Casa Rosada, a ministra informou que a fiscalização será intensificada para todos os brasileiros que ingressarem na Argentina, com checagem rigorosa de antecedentes. “Este alerta máximo significa olhar com quatro olhos para todos os brasileiros que vierem à Argentina, vendo se têm ou não antecedentes (penais), mas sem confundir os turistas com integrantes do Comando Vermelho”.
No X, a ministra afirmou que o reforço visa a “proteger os argentinos de qualquer ‘desmobilização’ que possa ser gerada pelos conflitos no Rio de Janeiro”. “A segurança do nosso país vem sempre em primeiro lugar”, acrescentou, ao compartilhar o documento oficial.
No documento, a ministra explicou que a ação é preventiva, caso haja tentativas de fuga de criminosos brasileiros para o território argentino. Ela também recomendou que os agentes recebam um manual específico para identificar sinais associados a grupos de narcotraficantes. O objetivo é facilitar o reconhecimento de suspeitos.
Bullrich reforçou a necessidade de cooperação internacional e pediu a ativação de contatos com as polícias do Brasil e do Paraguai. Segundo ela, essa integração visa a garantir o intercâmbio de informações e fortalecer as operações conjuntas entre os países.
Ministério da Defesa desloca Exército para Misiones
O ministro da Defesa, Luis Petri, anunciou que o Exército será deslocado para a província de Misiones, região que faz fronteira com Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O envio inclui tropas, veículos blindados, helicópteros e equipamentos de vigilância para garantir apoio logístico e reforçar a segurança da faixa de fronteira.
Petri também destacou a importância de proteger pontos estratégicos, como Puerto Iguazú, Andresito e Bernardo de Irigoyen, na Argentina, e Foz do Iguaçu, Capanema e Dionísio Cerqueira, no Brasil. “Vamos mandar equipes de controle e de vigilância do Exército para reforçar a fronteira com o Brasil. Para nós, é muito importante defender os argentinos, considerando a ‘debandada’ à qual se refere a ministra de Segurança. São narcoterroristas com poder de fogo militar, utilizando drones armados. A Força Aérea vai proteger o espaço aéreo e o Exército vai proteger a fronteira seca com o Brasil”, afirmou Petri ao canal A24.
Classificação de facções brasileiras como terroristas
Ainda na terça-feira 28, o governo argentino anunciou que classificou oficialmente o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas na Argentina. Desde o início do mês, essas facções constam no Registro Público de Pessoas e Entidades vinculadas a Atos de Terrorismo, sob o Ministério da Justiça.
Segundo a ministra, atualmente há 39 brasileiros presos em território argentino, sendo cinco do Comando Vermelho e entre sete e oito do PCC. Ela enfatizou que esses detentos permanecem isolados para evitar qualquer articulação criminosa. “Temos um controle muito estrito sobre esses presos. Estão se encontram isolados para que não tenham nenhum poder. Não conseguiram fazer nas prisões argentinas o que conseguiram, infelizmente, no Brasil e no Paraguai”, afirmou Bullrich.
Nos últimos meses, a Argentina também incluiu o Cartel dos Sóis, da Venezuela, e as organizações equatorianas Los Choneros e Los Lobos em sua lista de grupos terroristas. A medida permite impor sanções financeiras e restrições operacionais, além de fortalecer a cooperação internacional para combater o crime organizado.
A operação no Rio de Janeiro que motivou o reforço na segurança da fronteira da Argentina
A Operação Contenção teve como alvo principal membros do Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, localizados na zona norte. Segundo a última atualização, o número de mortos chega a 121 — sendo quatro policiais.
O secretário da Polícia Civil do Rio, delegado Felipe Curi, informou que 113 suspeitos foram presos, incluindo dez adolescentes. A operação pretendia cumprir 69 mandados de prisão em 180 endereços ligados à facção criminosa. Até o momento, 81 prisões foram confirmadas pelas autoridades, além da apreensão de mais de cem armas, sendo 91 fuzis.
Durante o confronto, integrantes do Comando Vermelho utilizaram armamento pesado, drones para lançar explosivos e ordenaram o bloqueio de ruas, gerando caos e violência em várias áreas da cidade.
Na madrugada de quarta-feira 29, moradores do Complexo da Penha retiraram ao menos 70 corpos de uma área de mata onde houve intenso tiroteio. Os corpos foram alinhados na Praça São Lucas e reconhecidos por familiares.