O brasileiro Fernando Sabag Montiel recebeu sentença de dez anos de prisão nesta quarta-feira, 8, na Argentina, por tentar matar a ex-presidente Cristina Kirchner, em setembro de 2022. A Justiça também condenou Brenda Uliarte, companheira de Montiel, a oito anos de detenção pelo mesmo crime.
O total da pena de Montiel chega a 14 anos, pois a Justiça unificou essa condenação com outra, de quatro anos, relacionada à posse e distribuição de conteúdo que promovia abuso de menores. Uliarte decidiu não se manifestar durante a audiência que antecedeu a leitura da sentença.
No momento do atentado, Montiel, de 38 anos, se encontrava entre apoiadores da então vice-presidente em frente à casa dela, em Buenos Aires. Armado com uma pistola com cinco balas, ele disparou duas vezes a uma distância de apenas 15 centímetros do rosto de Cristina Kirchner, mas os disparos falharam.
De acordo com a promotoria, Montiel e Brenda responderam por tentativa de homicídio qualificado, com agravantes de dolo, violência política de gênero e uso de arma de fogo. O Ministério Público argentino havia solicitado penas de 15 anos para ele e 14 anos para ela. A fundamentação da sentença será publicada em 9 de dezembro, segundo o tribunal.
“Este caso foi armado, e isso é conhecido. Eles plantaram uma arma”, disse Montiel perante os juízes antes da leitura da sentença. Ele disse também que o processo estava cheio de irregularidades. Ao longo do julgamento, entretanto, o brasileiro dizia que a tentativa de assassinato foi “um ato de justiça”.

Criminoso mora na Argentina desde 1993
Durante as investigações, câmeras de segurança registraram quando o casal participa de eventos de apoiadores de Cristina Kirchner, onde vendiam algodão-doce. O episódio reacendeu debates sobre a violência política na Argentina, considerada superada desde o fim da ditadura.
Montiel, que reside na Argentina desde 1993, é filho de mãe argentina e de Fernando Ernesto Montiel Araya, chileno investigado pela Polícia Federal do Brasil em 2020. A tentativa de homicídio ocorreu quando Cristina Kirchner começava a ser julgada por corrupção. Ela foi condenada em 2022 e cumpre prisão domiciliar em outra residência.
O Ministério Público não apresentou denúncia contra Nicolás Carrizo, terceiro suspeito, ao concluir que ele desconhecia o plano. Os advogados de Cristina Kirchner solicitaram investigação sobre supostos mandantes do crime, mas o pedido foi negado. “Querem que eu seja presa ou morta”, declarou a ex-presidente.