A Argentina classifica Cartel Jalisco Nova Geração como terrorista em uma decisão anunciada pelo governo de Javier Milei nesta quinta-feira. A medida coloca o grupo mexicano em um cadastro oficial ligado ao combate ao terrorismo e ao financiamento dessas estruturas.
Segundo o comunicado divulgado pela secretaria de imprensa da Presidência, o cartel passará a integrar o Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo e seu Financiamento, conhecido como RePET.
Por que a Argentina classificou o CJNG como terrorista
O governo argentino apresentou a decisão como parte dos compromissos internacionais assumidos pelo país no enfrentamento ao terrorismo e à circulação de recursos usados por organizações criminosas. Na prática, o gesto também reforça a linha política de Milei no discurso de endurecimento contra redes transnacionais de crime.
A classificação amplia a margem para medidas de controle, especialmente no campo financeiro e operacional, com foco em dificultar a atuação do grupo e de seus integrantes dentro do sistema argentino.
O que muda com a entrada do cartel no RePET
Com a inclusão no cadastro, autoridades argentinas poderão aplicar sanções financeiras e restrições operacionais contra o Cartel Jalisco Nova Geração. A intenção declarada é reduzir a capacidade de movimentação da organização e impedir o uso de estruturas locais para fins ilícitos.
O comunicado também afirma que a medida fortalece a cooperação internacional em segurança e justiça, em sintonia com países que já adotaram enquadramento semelhante contra o cartel.
Quem é o Cartel Jalisco Nova Geração
O CJNG é apontado como uma das organizações criminosas mais violentas do México, com atuação no tráfico de drogas e armas. De acordo com a informação reproduzida pelo governo argentino, o grupo surgiu após divisões internas no narcotráfico mexicano e teve origem associada ao antigo braço armado conhecido como Los Mata Zetas.
A estrutura ganhou força depois da morte de Ignacio Coronel, em 2010, episódio que acelerou rearranjos dentro do mapa do crime organizado no México. O cartel passou a ocupar espaço próprio e se transformou em um dos principais alvos das autoridades mexicanas e americanas.
Na mesma contextualização, o texto cita que Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho e apontado como fundador e líder da organização, morreu em fevereiro durante uma operação em Tapalpa, no estado de Jalisco.
A decisão da Argentina amplia o peso político e diplomático do tema e sinaliza uma escalada no tratamento oficial dado ao crime organizado estrangeiro. O movimento também aproxima Buenos Aires de agendas internacionais mais duras na área de segurança