Teresina - Piauí quarta-feira, 01 de julho 24°C
Destaque / Política

Após crises, Flávio segue competitivo na corrida presidencial

Flávio cita "perseguição" após operação contra produtora de filme

Mesmo após os danos causados pela divulgação do financiamento do filme Dark Horse pelo Banco Master e do vídeo de Michelle Bolsonaro com duras críticas, a nova pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (29), aponta que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) reduziu a diferença para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno.

Segundo analistas políticos, o principal pré-candidato da direita conseguiu estancar a trajetória de queda e manter seu núcleo de eleitores cativos. Mesmo sob o impacto de crises ruidosas, o desgaste parou diante da estabilização das intenções de voto, o que o coloca em posição competitiva no segundo turno.

No cenário de primeiro turno, a pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra Lula na frente, com 42%, enquanto Flávio amplia as intenções de voto para 34%, um ponto percentual acima do levantamento anterior. Com isso, ele se consolida na segunda colocação em relação aos demais pré-candidatos.

Na simulação de segundo turno, a vantagem do petista desaparece. Os dois aparecem em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais: Lula com 47%, e Flávio com 43%, ganhando também um ponto percentual no comparativo com a última pesquisa.

  • Metodologia da pesquisa citada: 2.000 entrevistados pelo instituto Nexus entre os dias 26 e 28 de junho de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-08521/2026.

Números trazem alívio à campanha de Flávio, mas não eliminam os desafios

Analistas políticos ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que a BTG Pactual/Nexus divulgada trouxe alívio à pré-campanha ao registrar oscilação positiva no segundo turno, sinalizando que os danos dos casos envolvendo Flávio já foram absorvidos por boa parte dos eleitores. Eles ressaltam, no entanto, que o cenário ainda pode mudar.

O episódio Dark Horse — que envolveu vazamentos de conversas e pedidos de recursos de Flávio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro — abalou os índices do senador e ainda deixou como maior prejuízo uma forte elevação da taxa de rejeição para 52%.

A polêmica envolvendo Michelle Bolsonaro, madrasta do presidenciável, trouxe, por sua vez, importantes desafios para a candidatura conservadora, ao afetar a percepção de dois públicos com os quais Flávio já tinha encontrado resistência: as mulheres e os eleitores evangélicos.

O diretor da consultoria política Action, João Henrique Hummel Vieira, avalia que a corrida presidencial continuará sendo influenciada pelos desdobramentos do caso Master e pela postura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em relação à candidatura de Flávio.

Segundo ele, a expectativa é de que as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) revelem novos elementos sobre o escândalo financeiro, político e institucional, ampliando a transparência e produzindo reflexos relevantes sobre o ambiente eleitoral. “As apurações ainda terão consequências”, resume.

Para Vieira, o comportamento de Michelle também tende a impactar a reorganização do campo conservador. “A postura política tem efeitos na política. Os movimentos dela não podem ser ignorados”, ressalta.

Já o cientista político Ismael Almeida avalia que o eleitorado ainda não está plenamente exposto aos fatos relacionados à candidatura de Flávio e, por isso, a melhor avaliação do cenário deve ocorrer a partir do fim de julho — período das convenções partidárias que antecede o início oficial da campanha eleitoral. “Os brasileiros estão com as atenções voltadas para a Copa do Mundo”, acrescenta.

Fonte

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.