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A trajetória que explica Gaspar como vice

Muito antes de receber o convite para disputar a Vice-Presidência da República ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar afirma que construiu uma trajetória voltada ao combate ao crime organizado e à corrupção. Em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (6), o deputado traçou uma linha do tempo que começa nos 24 anos de atuação no Ministério Público de Alagoas, passa pela Secretaria de Segurança Pública, chega à Câmara dos Deputados e culmina na relatoria da CPMI do INSS, episódio que, segundo ele, projetou seu nome nacionalmente e o colocou no centro da oposição ao governo Lula.

Gaspar afirmou que sua atuação sempre esteve concentrada nas áreas de segurança pública e enfrentamento ao crime organizado. No Ministério Público de Alagoas, coordenou o Grupo de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), período em que diz ter atuado em investigações sobre tráfico de drogas, roubo a bancos, grupos de extermínio e corrupção. O trabalho, segundo ele, resultou no convite para assumir a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas em 2015, quando o estado liderava os índices nacionais de violência.

Ao chegar à Câmara dos Deputados, Gaspar afirma que manteve a mesma linha de atuação. Relatou projetos voltados ao endurecimento da legislação penal, ao combate ao feminicídio e ao crime organizado, além da relatoria de propostas na Comissão de Constituição e Justiça.

“Eu não mudei os meus princípios, nem me desviei daquilo que o eleitorado me trouxe”, afirmou.

Segundo o deputado, a primeira projeção nacional ocorreu durante a relatoria do processo envolvendo o deputado Alexandre Ramagem na CCJ. Depois, afirma, veio a oportunidade que mudaria definitivamente sua trajetória política: a CPMI do INSS.

Gaspar contou que sequer tinha vaga garantida na comissão. Filiado à União Brasil na época, pediu para integrar o colegiado, mas só recebeu a confirmação poucos dias antes da instalação dos trabalhos, após articulação da oposição.

“Aquilo dali para mim era um sonho. Era o meu mundo”, relatou ao lembrar da escolha para integrar a comissão.

Segundo o parlamentar, a investigação inicialmente tratava apenas de irregularidades envolvendo entidades ligadas ao INSS e o irmão do Lula, conhecido como Freire Chico. Com o avanço das diligências, porém, afirma que a comissão passou a alcançar outros personagens próximos ao governo.

“A única coisa que existia era que o irmão do presidente da República fazia parte do esquema do INSS. Comecei a investigar com uma equipe boa e as coisas foram acontecendo”, afirmou.

Gaspar disse que a mudança de patamar ocorreu quando a investigação passou a abordar pessoas ligadas a Lulinha.

“Quando eu vi aquilo, tive certeza de que o que a testemunha dizia era verdade. A partir dali, a esquerda declarou guerra”, afirmou.

Na avaliação do deputado, a repercussão da CPMI ampliou sua exposição nacional e alterou sua posição dentro da oposição.

“A oposição me designou. A partir daquele momento, a minha vida ganhou outra dimensão em termos de visibilidade”, disse.

Gaspar também relembrou uma conversa com o filho antes de assumir a relatoria da comissão. Segundo ele, a família já previa que a condução das investigações poderia trazer consequências políticas.

“Meu filho disse: ‘Pai, o senhor sabe com quem vai lutar? Vão tentar acabar com a sua vida’. Eu respondi: ‘Estou tão feliz por poder ajudar o país que isso para mim é o mínimo’.”

De acordo com o parlamentar, a atuação na CPMI consolidou seu nome dentro do PL. Ele afirmou que Jair Bolsonaro passou a acompanhar seu trabalho ainda antes da comissão e chegou a sugerir que disputasse o Senado por Alagoas.

“Bolsonaro passou a me observar, me chamou e disse: ‘Alfredo, eu estou lhe observando. Queria que a gente conversasse mais um pouco’.”

Meses depois, já durante a definição da chapa presidencial, veio o convite para integrar a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Segundo Gaspar, o próprio presidenciável explicou a razão da escolha.

“Neste momento de combate à corrupção e ao crime organizado, eu vejo em você uma pessoa adequada”, relatou.

Na avaliação do deputado, esse foi o principal motivo de sua indicação.

“O convite em relação a mim era para reforçar o combate à corrupção e ao crime organizado”, afirmou.

Ao resumir a trajetória que o levou da promotoria à chapa presidencial, Gaspar disse que buscou manter na política os mesmos princípios que adotou ao longo da carreira no Ministério Público.

“Eu só queria mostrar que os meus princípios do Ministério Público na política não iam se desmanchar”, afirmou.

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