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23% candidatos Congresso disputam eleição fora do Estado

Quase um em cada quatro candidatos a deputado federal, senador ou suplente de senador nas eleições de 2026 nasceu em uma unidade da Federação diferente daquela pela qual disputa a eleição. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 1.969 dos 8.670 concorrentes a esses cargos estão nessa situação, o equivalente a 23% do total.

O fenômeno é mais acentuado em alguns Estados e no Distrito Federal. Roraima lidera a lista, com 61% dos candidatos nascidos fora da unidade. O Distrito Federal aparece em seguida, com 60%, seguido por Tocantins, com 57%, e Rondônia, com 55%.

São as únicas quatro unidades da Federação em que os candidatos nascidos fora representam mais da metade dos concorrentes ao Congresso.

Na outra ponta, o Rio Grande do Sul apresenta a menor proporção, com 10%. Minas Gerais vem depois, com 11%, enquanto Pernambuco e Bahia registram 12% cada.

Migração se reflete nas candidaturas

A diferença entre local de nascimento e Estado de disputa está relacionada, em parte, aos movimentos migratórios que transformaram a população de diferentes regiões brasileiras.

Em Roraima, por exemplo, entre os candidatos nascidos fora do Estado, os maranhenses formam o maior grupo, seguidos por amazonenses e paraenses. Em Rondônia, há forte presença de candidatos nascidos no Paraná.

No Tocantins, Goiás e Maranhão aparecem entre as principais origens dos candidatos que nasceram em outras unidades. Já no Amapá, a maioria dos candidatos de fora nasceu no Pará.

São Paulo concentra o maior número absoluto de concorrentes nascidos em outros Estados. São 608 candidatos nessa condição.

Os números, porém, não indicam necessariamente que esses candidatos tenham migrado recentemente. O local de nascimento não permite saber onde a pessoa cresceu, estudou ou construiu sua trajetória profissional e política.

Senado tem maior proporção de candidatos de fora

Quando são considerados outros cargos em disputa nas eleições de 2026, a proporção de candidatos que nasceram em uma unidade diferente daquela pela qual concorrem também é significativa.

Entre os candidatos ao Senado, 33% nasceram em outra unidade da Federação. Entre os postulantes aos governos estaduais, o índice chega a 32%.

Na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, 21% dos candidatos nasceram fora do Estado pelo qual concorrem. Entre os candidatos às assembleias legislativas e à Câmara Legislativa do Distrito Federal, a proporção é de 20%.

O levantamento considera os dados disponíveis na Justiça Eleitoral e pode sofrer alterações durante o período eleitoral.

Candidatos conhecidos estão na lista

A situação também aparece entre nomes conhecidos da política nacional e regional.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nasceu no Rio de Janeiro e disputa a reeleição pelo Estado paulista. Ele transferiu seu domicílio eleitoral para São José dos Campos antes de entrar na disputa pelo governo paulista.

Outro exemplo é o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB), que nasceu em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Ainda criança, mudou-se com a família para Sobral e construiu sua carreira política no Ceará.

Também concorrem fora do Estado de nascimento Felipe Camarão (PT), nascido no Rio de Janeiro e candidato no Maranhão; Eduardo Riedel (PP), natural do Rio de Janeiro e candidato em Mato Grosso do Sul; Celina Leão (PP), nascida em Goiás e candidata ao governo do Distrito Federal; e Professora Dorinha (União), também goiana, que disputa o governo do Tocantins.

Naturalidade não impede candidatura

A legislação eleitoral não exige que o candidato tenha nascido na unidade da Federação pela qual pretende disputar uma eleição.

O requisito é possuir domicílio eleitoral na circunscrição correspondente. Para as eleições de 2026, o vínculo deveria estar regularizado, em regra, até 4 de abril, seis meses antes do primeiro turno.

Dessa forma, nascer em outro Estado não impede a candidatura. O dado revela, sobretudo, a mobilidade dos políticos brasileiros e como trajetórias pessoais e eleitorais nem sempre permanecem vinculadas ao local de nascimento.

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